16 de xuño de 2011

Gianz, Giance, Guiance

Um apelido desses que soam sonoros de mais é Giance. Nom é frequente, a Cartografía dos Apelidos de Galicia do ILG apenas da 73 pessoas com este apelido na Galiza. Outra aparente variante, Guiance, é bastante máis comum, com 316 pessoas. Ambos estam na prática restritos ao ocidente do país.

Tinha eu a suspeita, desde hai já algum tempo, de que este apelido devia ter orige patronímico, derivando do nosso nome Jiao / Jiam (Juliam / Julião / Julián), do latim Iulianus. Pondo ambas evoluçons em paralelo:

Juliano > Juiãõ > Jiao / Jiam (oriente / ocidentes)
Julianici > *Juianez > *Jiãêz > Gianz

Lendo estes dias a ''Galicia en los siglos XIV y XV" de Garcia Oro descubro a existência dumha notável família compostelá, os Tudela, ou Todella, na documentaçom da época. Segundo os menciona Garcia Oro (p. 39 do segundo volume): Martín de Tudela, Julián Martín de Tudela, Juan Gianz de Tudela, Martín Fernández de Tudela.

Buscando no Corpus Xelmirez confirmo o caso da família Tudela e atopo ao menos outro caso onde um home chamado Giao parece ser herdado por outro de nome Joam Gianz:
"o casal de Oyteiro en que morava Giao que força Fernan d ' Alvite et mora agora y por el Iohan Gianz"

Sobre os Tudela, temos a um Giao Martiz de Todella nomeado em vários documentos de 1311, no entanto em 1320 é mencionado um Johan Gianz de Todella. Sem poder agora confirmar a relaçom paterno filial de ambos, parece contodo provável.

Fica por tratar o apelido Guiance, mais nom podo evitar pensar que estamos ante um caso de ultra-correçom da "gheada" por causa da pronúncia castelá de Gianze. Coido que:
1º.- O galeguíssimo Gianze passa a ser pronunciado ao modo castelam (século XVIII? provavelmente XIX).
2º.- Esquencida a relaçom co nome pessoal Jiao / Jiam, o apelido Gianze é reinterpretado (por funcionários de registo e curas párocos) como um caso de gheada, e corregido em Guianze. Compare-se, à contrária, co apelido Regenjo por Reguengo, Herbojo por Herbogo, ou ultra-correçons (e aqui os pobres curas já nom tenhem culpa) como Xidoiro Areoso por Guidoiro Areoso, etc.

11 de xuño de 2011

Lérias coas leiras



Ultimamente escrevo moi pouco; nom obstante, e seguindo os conselhos de Sarmiento, leo. Hai uns dias (o anteantonte de antonte) fum por Santiago, e havia tempo que nom ia alô. Tinha que fazer algum “papeleo”, e queria tamém passar polas livrarias, a mercar as novidades de Toxosoutos e máis polo último anexo de Verba (Onomástica!).

As novidades de Toxosoutos já as enganchei em Follas Novas; o anexo de Verba nom mo tinham em Couceiro... Vim-me de volta para Ribeira, e decidim colhe-lo por Internet. Nom mo vendiam onde mirei, mais dei coa pagina da USC, onde vendiam o e-book... OK. Já com nostalgia do papel opto por mercar. Nuns segundos já tinha descarregado o pdf; boto-lhe uma olhada antes de preparar a comida para hoje: Vallejo, antroponímia, interessante, mais nada novo (vaites! Para quando um estudo etimólogico da antroponímia galaica pré-latina?). Kremer, léxico pré-latino, nada novo tampouco... Mais, que demo é essa nota!? (nota 26, página 292):

“Un exemplo ben interesante da variedade desconcertante de Internet. Na páxina de Internet celtiberia.net (9.10.2008) ponse baixo o pseudónimo Cossue para leira unha etimoloxía laria < *(p)la-rya "llana, igualada", que se pon en relación co «irlandés, escocés làr "suelo", bretón leur < *lāro- < *plâro; antigo alemán flur "pastizal, campo, sembrado", de igual origen remoto, así como el inglés floor». A iso segue unha longa discusión en Internet. Detrás dese pseudónimo podería estar Andrés J. PENA GRAÑA, o cal tamén publicou alí un capítulo do seu texto Si el lusitano es vulgar latín provinciano bajoimperial. ¿Qué lengua se hablaba en el noroeste? (onde di «probablemente del indoeuropeo *plaria»).

Por uma banda, nom estou seguro de que a expressom “a variedade desconcertante de Internet” seja elogiosa, ainda que tampouco é per se denegridora. Por outra, a “minha” proposta (que nom é minha, como havemos ver, ainda que nesse momento para mim estava a descobrir a pólvora) forma parte dum articulo ali “publicado” o 14 de setembro do 2007 (“leira < laria < *(p)larya”), feito que nom é citado, e a nom se que me ache moi confundido nom é simples baralhoada. Finalmente, é fundamente molesto ler que um mesmo é ou pode ser (“X poderia ser Y” é uma forma insidiosa de dizer “sustenho que X é Y”, porque quem afirma se aparta de responsabilidades e provas como se a boca trabalhasse por livre) um alias ou alter ego dum terceiro! Bem certo é que Dieter Kremer escrever isto no 9.10.2008, quando Frornarea ainda começava a sua irregular andaina. Bom, em qualquer caso, nom: Cossue é o nick que venho usando desde que me registei em Celtiberia.net hai bem de anos, nick logo traído a estes meus blogues. Eu som um funcionário de carreira da Xunta de Galicia que choia na atençom ao público no/a Barbança, licenciado em Ciências Físicas pola USC, e chamado Miguel Costa. Um ninghém, a nom ser para a minha família e amigos:

"Su servidor de ustedes"
Venhamos de volta agora ao fundo da questom, porque pretendo dar umha resposta à pergunta (retórica) proposta por Dieter Kremer: “Pódese supor unha identificación probable co latín GLAREA, malia os problemas semánticos. Por que reconstruír un prerromano *plaria ‘terra cha’?”

Qual é a orige etimológica do Galego-português leira? Aparentemente a proposta a que se adere Kremer é aquela que fai vir esta palavra do Latim glarea “cascalho'', entendo que por um saudável motivo de economia. A proposta, enquanto a evoluçom da forma, nom tem chata: dum Latim glarea certamente aguardaríamos um galego leira (cf. latim glandula > galego landra, latim glacies > galego lazo 'gelo') mais a evoluçom semántica é difícil, de 'cascalho' a 'campo/terra de cultivo'. Mais, é tamém económica esta proposta? Eu sustenho que nom o é. Primeiro o primeiro.

A proposta máis antiga que conheço, e que liga a nossa palavra leira a umha forma céltica, é aquela de Meyer-Lübke no seu Romanisches Etymologisches Wörterbuch, publicado em Heidelberg em 1911, e acessível aqui:

4911. *larea (gall.) „Flur".
(Portg. leira „Gartenbeet", „Raum zwischen zwei Furchen" Gr. Gr. 1, 924 ist begrifflich wenig wahrscheinlich und morphologisch bedenklich, da nur *laros durch die kelt. Sprachen gesichert ist; AREA 626 geht formell, GLAREA 3779 begrifflich nicht).

Quer-se dizer, Meyer-Lübke prefere por motivos morfológicos e semánticos um étimo derivado do celta *laros, desbotando a possibilidade da orige desta verba no latino area 'espaço, superfície' (de onde eira), ou do latino glarea 'cascalho'.

Máis recente é a proposta de Coromines no seu Diccionario crítico etimológico castellano e hispánico, do que nom disponho dado o seu elevado preço. Afortunadamente, no Dicionário de Dicionários do Galego Medieval, temos na entrada leyra um pequeno artigo a cargo de Fernando Tato Plaza, editor do “Libro de notas de Álvaro Pérez, notario da terra de Rianxo e Postmarcos (1457)”:

De etimoloxía discutida. Aínda que foneticamente non tería problemas o lat. glarĕa (> esp. glera "areal, seixal"), hai moitas dificultades semánticas; Corominas rexeita, con razón, a idea da procedencia do lat. arĕa, pois non é posible unha aglutinación do artigo, dado que nas linguas onde existe esta forma, fundamentalmente o gal. e o port., non hai l-; decántase por un celtismo, da raíz indoeuropea plā/pelə- afín ó lat. plānus, da que procedería un tipo indoeuropeo plāros; de aquí, trala perda normal do p- en céltico, daría unha forma derivada lār-ia "extensión de terra cha ou pouco montuosa", e xa que logo cultivable, de onde normalmente leira (DCECH s.v. glera). A voz documéntase desde moi cedo nos textos: larea no ano 870, laria no 921, e leira no 984, todos eles en textos portugueses (DELP s.v.). Numerosos exemplos en textos galegos desde 1230 (leira) en CDOseira (I p. 316), en 1261 (leira), 1262 (leyra) en Montederramo (Martínez Montederramo s.v.), 1269 (leyra) e 1370 (leira) en Ribas de Sil (Martín Ribas de Sil s.v.).

Interessantíssima é a exposiçom do inesgotável Elixio Rivas Quintas no seu Natureza, Toponimia e Fala, do 2007 (px. 218):

LEIRA. Tema antigo, sen dúbida o máis representativo e xeral declinando terreo posto en coutivo, o que é certo aínda no día de hoxe e podemos probar que ven sendo dende centas de anos. Prelatino pero parasinónimo do lat. glarea, é discriminatorio que alí onde concorren, por exemplo no Bierzo, leira sexa 'horta', mentres que llera sexa 'cacallal, pedregal extenso' (Gª Rey). Pola contra, si que se ve certo influxo do lat. lira, lera 'suco'.

Consequentemente, nom era esta proposta, leira < céltico *(p)laria, nengumha novidade no 2008. Era e é umha proposta já avançada por Meyer-Lubke hai um século, e levada a madureça por Coromines e Rivas Quintas. Pouco é o que eu poda acrescentar, mais porei os meus sublinhados:

1º.- A forma galega e portuguesa que já temos na documentaçom medieval dos séculos IX e X é laria/larea, nom glarea: “larea que iacet”, em Portugal no 870; “in laria iuxta riu de Panizale”, em Sobrado no 931; “laria nostra... ipsas lareas”, em Celanova no 937. Os escribas e notários medievais tendiam a manter a forma latina daquelas palavras que, por serem de orige latina, tinham umha longa tradiçom escrita. Em si isto nom é prova, mais indício, da nom latinidade de leira. Contodo, podemos presumir umha evoluçom moi temperá do grupo /gl-/ > /l-/, mais nom acho documentaçom adicional que poda respaldar esta proposiçom: os pergaminhos medievais estam cheos de glorias e gladios.

2º.- No ocidente de Astúrias, como no Bierço, regions de confluência das áreas linguísticas do galego e do leonês, a verba leira, lleira ou chera (esta última forma em Lena, Astúrias) 'horta, lavradio' coexistem junto ao astur-leonês glera/llera/lleira 'pedregal, cascalho, coído'. Som duas palavras distintas, com diversa orige (ocidental / oriental) e sustenho que com distintos étimos. Comparem-se duas alocuçons recolhidas no dicionário asturiano de La Nueva España.

Las tierras cun llera son malas pa trabayar” [Tineo].
Ser bueno como una chera ‘ser un terreno llano y productivo (frente a lo pendiente y estéril)” [Lena].

Som duas palavras distintas que levam a significados antonímicos no referente ás qualidades dos terreos. Ainda assi poderíamos supor que o latim glarea originou na Galiza e no ocidente e montanha de Astúrias umha forma leira/lleira/chera com valor de 'lavradio', com complexa, antiquíssima e literalmente inaudita evoluçom semántica, no entanto no leste e centro de Astúrias e em Leom originava outra palavra llera/glera/lleira continuadora do significado primitivo de glarea. Mais isto nom semelha em absoluto económico, e penso que nom hai moitos exemplos de palavras latinas que tenham desenvolvido sentidos contrapostos em dous ámbitos linguísticos tam próximos como som o galego-português, por umha banda, e o astur-leonês por outra. Lembremos novamente que a evoluçom semántica requerida nesta hipótese já devia ser um processo rematado no século IX.

Penso que é mais económico propor que a nossa leira, que deriva do medieval laria, é a evoluçom local dum celtismo *(p)lār-yā, derivado de *(p)lāro- 'o chám, pavimento' (veja-se o Matasovic, s.v.), que origina o antigo irlandês lár idem, galês llawr idem, antigo bretom lor 'solum', e cognato do inglês floor 'cham, terra, campo' e do médio alto alemám vluor 'prado, campo de cultivo', dum proto-germánico *flōruz. 

~o~o~o~

Um ultimo apontamento que tem moito ou moi pouco quer ver co exposto. No último número de Paleohispanística, o 10, a autora Rosa Pedrero Santo estuda algunha verbas com orige prerromano, concluindo que:

“De las palabras citadas por los autores antiguos (Columela, Quintiliano, Marcial, Plinio, Suetonio, Varrón, Pedanio Dioscórides y más tarde Isidoro de Sevilla) como peculiares de los hispanos, la mayoría no ha sobrevivido: Acnua, amma, aparia, apitascudis, arapennis, arrugiae, asturco, bacca, balluca, balsa, balux, barca, caelia, caereastra, cantabrum, cantus, celdo, corrugus, cuscolium, dureta, gangadia, gurdus, iduma, inula, lancea, palucia, pala, palacurna, palaga, paramus (CIL II 2.660, II d. C.), reburrus, saliunca, salpuga, sarna, segutilum, talutium, tasconium, urium, viriae. Entre las que sí lo han hecho destaca la palabra arroyo, ampliamente estudiada, y otras como balsa, canto, gordo, páramo, lanza y sarna, que han sido objeto de estudio en diferentes ocasiones desde perspectivas completamente diferentes.

A autora, centrada na sua própria língua castelhana, esquence o galego corgo 'poça; barranco, garganta, desfiladeiro', medieval corrago, viva testemunha do corrugus de Plínio; co que suspeito é o seu derivado, o verbo escorregar < ?*ex-corregare.

10 de xuño de 2011

Salamonde

Brevíssimo apontamento. Vejo na revista NALGURES3 (pp. 332-333) a ediçom dum velho documento galego - guardado em Astúrias - referente à freguesia de Armeses, em Maside. O documento nom é per se extraordinário, mais um par e meio de detalhes chamam poderosamente a minha atençom nel.


1º.- No documento cede-se umha propriedade chamada Kastro, situada baixo o Kastro Karango. Este deve ser o nome dum monte ou castro local cujo nome devém -suspeito- dum *Caranico, mesmo nome que o dumha famosa e nom localizada mansio viária situada entre Brigantium e Lugo. É sempre interessante ver que um mesmo topónimo se apresenta em mais dum lugar.

2º.- Este lugar de Castro pertencia à igreja de Santa Maria de Sendamondi: Sendo umha igreja pola antiga Castela de Ourense, penso estamos a falar de Santa Maria de Salamonde. Coido que temos que na evoluçom deste topónimo de orige antroponímico deu-se um processo de assimilaçom do grupo /nd/ > /nn/ com posterior dissimilaçom /n/ > /l/, e abertura da vogal da primeira sílaba (como em zarrado por cerrado):

Sendamondi > *Sennamonde / *Sannamonde > *Sanamonde > Salamonde

Consequentemente, Salamonde nom seria umha evoluçom do antropónimo Salamundi, com preservaçom irregular de /l/ intervocálico.

O texto do documento di:
"et iace ipsa uilla in territorio Kastelle, sub alpe Kastro Karango, prope aulam Sancta Maria de Sendamondi, loc[o] predicto et uilla que uocitant Kastro"

O lugar de Castro deve ser Castro, na freguesia de Santa Maria de Salamonde, nom longe de Sam Cibrao de Lás, cujo nome -como o de Salamonde- é tamém um germanismo ( < Egilanis, veja-se a coleçom documental de Doçom recentemente publicada polo Consello da Cultura Galega).