7 de abril de 2014

Abaira 'balsa', abeira 'pingueira' < abanaria/apanaria

Consultando a tese doutoral de Paulo Lema (o nosso Ulmo de Arxila), no artigo adicado ao topónimo Fírvado leo as seguinte passages:

per terminis de Ferueta que dicent Apanaria (SERS 921)
“in primis incipit ad Feruedam ubi dicunt Abanariam” (SERS 1214)

contidas em dous documentos procedentes do mosteiro de Santo Estevo de Ribas de Sil, e onde vemos que Apanaria alterna com Abanaria, sendo difícil precisar sé a primeira forma é um estadio primitivo da segunda, ou umha grafia hiper-correcta.

Por umha banda, férveda, palavra estudada por Lema, seria um particípio de FERUERE, ferver, relacionado coa nossa verba fervença; o  dicionário de Franco Grande define:

Manantial donde surge el agua o donde hay olla o sima que traga las aguas”.

Pola outra, Apanaria/Abanaria tem igualmente um aspecto de hidrónimo, aspecto confirmado polos dicionários, se é que atendemos ao que som prováveis formas modernas derivadas desta forma medieval (abanaria/apanaria > *abãeira > abeira / (a)baira, como abellanaria > abraira/abelaira/abelaeira/abeleira):

baira 'encoro, presa dum rio, corgo' (Elixio rivas, Carré Alvarellos, Constantino García)


Na toponímia temos vários lugares com nomes provavelmente relacionados:

As Bairas (em Parada de Sil, OU: A Hedrada, Caxide e Forcas)
A Abaira (em Ribadeo, LU: Arante e Ove)
A Baira (em Riós, OU: Trasestrada)
A Baira (em Sarreaus, OU: Freixo)
As Bairas (na Teixeira, OU: Sistín)
A Abaira (em Trabada, LU) 

Apanaria/abanaria, como étimo destes apelativos e topónimo, seria um derivado romance dum pré-latino *Apana- ou *Abana-, à sua vez coido que um derivado dumha de três raízes indoeuropeas, todas relacionadas coa auga:

*ab- 'auga, rio'

*ap- 'auga, rio'

*akʷā- 'auga, rio'

A segunda e a última penso que som as opçons menos prováveis, mais nom desbotáveis a priori, e poderíamos relacionar ambas cos nomes galaico-lusitanos pré-latinos Apanus/Apano e Apana. Num caso amossaria preservaçom de /p/, presente em topónimia e onomástica pré-latina em toda a península ibérica, mais com especial incidência no ocidente; noutro a evoluçom kʷ > p ou ku̥ > p.[i]

No entanto, a primeira opçom penso que é a máis simples e provável, por ser tamém para a que temos umha maior base comparativa: rio Abaña[ii] (medieval Auania), abeneiro 'amieiro', abenal 'amieiral' < pré-latino *aben-no- '(árvore de) rio” (cf. Celta *wer-no- 'amieiro', de formaçom totalmente paralela sobre *wer- 'auga, rio')  

Em todos os casos apanaria/abanaria seria umha palavra de induvidavel orige indo-europea, mais nom necessariamente celta, algo assi como um derivado “agüeira”, com possibilidade de presentar múltiplas especializaçons semánticas. 





[i] Para o Lusitano é fenómeno admitido a evoluçom kʷ > p (pumpi canti 'quinhentos' < *penkʷe, puppid < PIE kʷod-kʷid), no entanto kʷ > p e ku̯ > p som evoluçons suspeitas para algunhas variedades hispano-célticas (cf. Pintia < *penkʷto-yo- , Cópori < pekʷero, Pantiñobre, Pezobre).

[ii] Nom hai ou nom conheço documentaçom que permita suster Abaña < *Apania ou ou abeneiro < *apennario.