27 de xullo de 2010

Ripo

Atualizado a 1/04/2011: engadida catrapiar.
Actualizado a 29/12/2010: engadida estada.
Atualizado a 21/08/2010: engadida estricar / estarricar.
Atualizado a 13/08/2010: engadidas escarva e targa.

Surpreende-me ainda como moitas das palavras máis características do léxico galego, quando se compara co castelám, som em orige célticas ou pré-latinas (choco, tona, minhoca, bico, cróio, leira...) ou germánicas, suevas logo, pois nom é económico pretende-las visigodas: agarimar, teixugo, esmagar, esmorecer, faísca, brétema... Dias atrás estivem de visita no castelo de Sobroso, antiga propriedade dos Souto Maior. É um dos poucos castelos galegos que sobreviverom ao nosso conflituoso século XV; hoje alberga umha pequena amostra etnográfica. Umha das salas está dedicada ao tecido e ao linho, e entre os objetos em exposiçom destacam um tear, vários sarilhos ou aspas, umha roca, e um ripo, tipo de peite para arrincar a linhaça do linho... Ripo era verba que eu desconhecia, e o seu 'p' intervocálico levou-me a suspeitar da sua orige germánica (e máis tamém aspa e roca som verbas germánicas).
À volta na casa busquei esta verba nos dicionários, junto com outra possíveis variantes e derivados, achando que ripo (com variantes, ripio, ripa, ripia, ripom e derivados ripadeira, ripanço) é umha espátula ou ferramenta, deverbal de ripar (ou ripiar, arripar) 'arrancar a baga do linho; separar a semente do milho do caroço', com variantes arripaçar 'arrebatar'. E de ripar temos ripadoiro 'lugar onde se ripa', ripada 'Lomo de tierra entre surco y surco (Fieiro): Unha ripada de fabas es una hilada de judías.' (E. Rivas, Frampas I), ripote 'Bollito de pan, hecho de raspas de masa de la artesa. Sancobade de Vilalba, Lu.' (E. Rivas, FrampasIII) e 'De los pedazos de masa que sobran, cuando se formaban los panecillos, hacían y hacen las panaderas unos bollitos de medio pie de largo con figura de mano en el remate para vender a los chicos por un cuarto. El nombre vulgar de este bollito de trigo es en Pontevedra ripòte' (Sarmiento).
Visto em conjunto, esta família de palavras semelha derivar dum verbo rip(i)ar 'raspar, arrancar, ou peitear, cos dedos ou cumha ferramenta com garfos', coido que inseparável do antigo nórdico hrífa ‘to catch, to grapple’ e mais do frisom rīfen ‘to rake’, antigo frisom hrīva 'rake' (ranho) que novamente nos levam à umha semántica 'rascar, arrancar, coa mám ou com garfos'. Para estas verbas Vladimir Orel reconstrue a forma proto-Germánica *hrībanan (V. Orel s.v. *xrībanan), no entanto Gerhard Köbler reconstrue *hreiban / *hrīban 'seize, scratch' (agarrar, rascar), do proto-Indo-Europeu *skerībh- (Pokorny 946), de onde o latim SCRĪBERE (galego escrever), literalmente 'gravar'. Para a forma galega pode-se propor um suevo *rīppjanan 'ripar', dumha forma anterior *hrībjanan, derivada de *hrībanan (com evoluçom normal para o germánico do sul: *hrībja- > *hrībbja- > *hrīppja-, mais com possível cruzamento coas verbas da família de grīpanan 'agarrar, colher').
Assemade, suspeito que ripar pode ter interferido na evoluçom da verba arrepiar 'eriçar-se o pelo', do latim HORRIPILARE, do que aguardaríamos tal vez *orribear, sendo admissível *arribear ou *arribiar, máis nom as formas com /p/.
~o~o~o~
Actualizo a minha listage de germanismos máis ou menos restringidos ao galego, mais frequentemente tamém patrimoniais no Português, e por vezes com presença residual  en dialectos leoneses e castelhanos:


  • agarimar, garimar 'achegar, juntar' ˂ PGmc *garīman 'juntar, ajuntar, somar' (cf. antigo alto alemám girīman 'pertencer, calcular, contar')
  • brétema 'névoa' ˂ PGmc *breÞmaz 'vapor' (cf. alemám brodem 'vapor')
  • britar 'quebrantar' ˂ PGmc *breutan 'idem' (cf. antigo inglês breotan)
  • broslar 'bordar' ˂ PGmc *bruzdjan 'idem' (idêntica orige tem bordar)
  • catrapiar 'andar mal um animal; remexer' < PGmc *(ga-)trappjanan 'pisotear, tripar' (cf. antigo inglês treppan idem). Relacionado cos nossos verbos trepar / tripar.
  • crocar 'pandear, curvar' ˂ PGmc *kreukan 'torcer, curvar' (cf. antigo nórdico krōkr 'gancho; curva')
  • escá 'medida de áridos' ˂ escala 'recipiente' ˂ PGmc *skalō 'cuncha' (cf. aaa scala)
  • escarva 'táboa da dorna que sobresae e sobre a que se ladea' (http://www.acddorna.org/esc_glosario.htm ˂ PGmc *skarbaz 'fragmento, tábua' (cf. antigo nórdico skarfr 'prancha, tábua')
  • escuma 'espuma' ˂ PGmc *skūmaz 'idem' (cf. aaa scūm)
  • esmorecer, de esmorir 'perder o conhecemento' ˂ PGmc *smorjan (cf. antigo inglês smorian 'perder o alento, afogar')
  • esquilo 'campá' ˂ PGmc *skellōn 'idem' (cf. aaa scella)
  • estada 'andaimo, armação de paus para serrar madeira, secadoiro de peixe' (português minhoto 'manjedoura') < PGmc *staþōn 'banco, lugar em alto' (cf. Norueguês dialectal stad ‘banco’, antigo inglês stæð 'beira-mar', gótico lukarna-staþa 'candelabro, palmatoria', nórdico antigo staði 'palheiro, meda')
  • estricar, estarricar 'estender, estirar' ˂ PGmc *strakkjanan 'idem' (cf. antigo inglês streccan 'estender’, antigo alto alemám strecken 'estirar')
  • faísca 'cinza' ˂ falisca ˂ PGmc *falwiskan 'cinza' (cf. sueco falaska 'idem')
  • fouveiro 'loiro' ˂ *fouvo ˂ PGmc *falwaz 'da cor da palha' 
  • ganir 'saloucar, gemer' ˂ *guannire ˂ PGmc *wānnian, do PG *wainōn 'queixar-se, lamentar-se'.
  • gaspalhar 'destroçar, desfazer, esnaquiçar' ˂ PGmc *gaspeljan 'idem' (cf. anglo saxom gespillan 'destruir, gastar, devastar')
  • gastalho 'ferramenta ou utensílio para sujeitar', de (en)gastalhar 'sujeitar, encaixar, deter' ˂ PGmc *gastelljan 'parar, aquietar, deter' (cf. anglo saxom gestillan 'parar, calmar, deter, aquietar')
  • gueifas 'orelheiras do arado, abeacas', de *gueifar 'voltear' ˂ PGmc *waibjanan 'tremer' (cf. antigo nórdico veifa ‘to wave, to vibrate’, antigo inglês waefan ‘to wrap up, to clothe’).
  • gueste 'comida oferecida como pago' ˂ PGmc *westiz 'comida' (cf. médio aa wisti 'sustento')
  • gravám 'arado de ferro para roturar' ˂ PGmc *grabam 'aixada, sacho' e *graban 'cavar, fazer sulcos'.
  • grova 'corgo, depressom entre montes' ˂ PGmc *grōbō 'poço, sulco' (cf. aaa gruoba 'fossa, dique, sulco')
  • lapear 'lamber, beber', despectivo lapacaldos ˂ PGmc *lapjan 'idem' (cf. antigo inglês lapian 'idem')
  • laverca 'cotovia' ˂ PGmc *laiwarikōn 'idem' (cf. antigo inglês lāwerce)
  • lisca 'racha, fragmento' ˂ PGmc *leuskōn 'idem' (cf. antigo inglês leosca 'idem'; cf. britar)
  • lóvio 'parra, alpendre' ˂ PGmc *laubjōn 'folhage' (cf. aaa louba 'parra, alpendre, cabana')
  • luva (cast. 'guante') ˂ PGmc *galōfōn 'idem' (cf. inglês gloves)
  • maga 'tripas de peixe', esmagar 'estripar' ˂ PGmc *magōn 'ventre' (cf. antigo inglês maga 'idem')
  • meijengra (tipo de paxaro) ˂ PGmc *maisōn 'idem' (cf. antigo nórdico meisingr 'idem')
  • osas 'defensas das pernas' ˂ PGmc *husōn 'pantalons' (cf. aaa hosa 'idem')
  • ouva 'espírito, ser sobrenatural' ˂ PGmc *albaz 'idem' (cf. inglês elf)
  • ripa 'listom' ˂ PGmc *rebjam 'costela'.
  • ripar 'raspar' ˂ PGmc *hrībanan 'rascar, agarrar' (cf. antigo nórdico hrífa ‘to catch, to grapple’, frisom rīfen ‘to rake’)
  • sóuria 'vento seco' ˂ *souro ˂ PGmc *sausaz 'seco'.
  • targa 'argola no estremo dumha corda, para apertar' ˂ PGmc *targōn 'borde, canto' (cf. antigo nórdico targa 'escudo pequeno redondo',  antigo alto alemám zarga 'borde, marco').
  • toalha 'mareo, borracheira, embotamento' ˂ PGmc *dwaljan 'duvidar, vacilar, hesitar'.
  • trigar 'apurar' ˂ PGmc *þrenhan 'idem'.
  • vangear 'oscilar, bambalear, abanar', em vango 'mal assentamento de algo' ˂ PGmc *wangaz 'pendente', PGmc *wankjan 'bambalear'.