30 de setembro de 2011

"Atila en Galicia"

Noia: cortes discontinuos na glorieta de Pontenafonso debido ás obras da variante. Taramancos, arrasado
Destruçom pola Junta do povoado castrejo, nom fortificado, de Taramancos. O importante é chegarem de contado à praia, e a Madrid. E construir, para terem quartos cos que ir no AVE a Madrid e vir para o chalé da praia de contado. Sinto que isto é máis que um roubo, um autêntico e indecente esbulho do nosso património, argalhado polos que vem os quartos na primeira linha de praia numha costa imaculada. É também, um símbolo. Do nojo. Foto por Xornalcerto, Flickr.

15 de setembro de 2011

Estranhos Oestrymnicos

(Atualizaçom:  Eis umha traduçom moi superior à minha, abaixo exposta; e acô umha proposta etimológica igualmente superior, por Jordan Cólera. Cachis.)

Nom sei quando foi a última vez que eu lim aquilo dos Oestrimnios; o de serem os velhos, originais, e pré-indo-europeus habitantes dessa Arcádia Perdida, hoje estes e esses ferrados, antes da chegada dessa minoria ruidosa, os Sefes indo-europeus (mais nom celticos, companheiros, por terem esse /f/ revelador no meio do seu nome étnico).

Nom obstante, nom se tem proposto -penso- umha língua ou umha etimologia coa que vestir aos esfarrapados Oestrimnios, mais alô de irreflexivamente o ponher em relaçom co nosso oeste 'ocidente', do germánico *westera- 'ocidente, ocidental'. Mais suspeito que nom vai o conto por esse caminho. Contodo, o nome tem, penso, umha boa etimologia no Indo-europeu. Mais antes, vejamos em que contextos fai Rufo Avieno uso deste nome na sua Ora Maritima:

Terrae patentis orbis effuse iacet                   80
orbique rursus unda circumfunditur.
sed qua profundum semet insinuat saxum
Oceano ab usque, ut gurges hic nostri maris
longe explicetur, est Atlanticus sinus.
hic Gadir urbs est, dicta Tartessus prius,                    85
hic sunt columnae pertinacis Herculis
Abila atque Calpe, haec laeva dicti caespitis,
Libyae propinqua est Abila. duro perstrepunt
et prominentis hic iugi surgit caput,
Oestrymnin istud dixit aevum antiquius,                   90
molesque celsa saxei fastigii
tota in tepentem maxime vergis notum.
sub huius autem prominentis vertice
sinus dehiscit incolis Oestrymnicus,
in quo insulae sese exerunt Oestrymnides,                   95
laxe iacentes et metallo divites
stanni atque plumbi. multa vis hic gentis est,
superbus animus, efficax solertia,
negotiandi cura iugis omnibus,
netisque cumbis turbidum late fretum                   100
et beluosi gurgitem Oceani secant.

obire semper huc et huc ponti feras,
navigia lenta et languide repentia
internatare beluas. siquis dehinc
ab insulis Oestrymnicis lembum audeat
urgere in undas, axe qua Lycaonis                   130
rigescit aethra, caespitem Ligurum subit
cassum incolarum. namque Celtarum manu
crebrisque dudum proeliis vacua arva sunt
Liguresque pulsi, ut saepe fors aliquos agit,

Ophiussa porro tanta panditur latus                   150
quantam iacere Pelopis audis insulam
Graiorum in agro. haec dicta primo Oestrymnis est
locos et arva Oestrymnicis habitantibus,
post multa serpens effugavit incolas
vacuamque glaebam nominis fecit sui.                    155

Semelha que Avieno chama as estas gentes Oestrymnicis, derivando o seu nome cum sufixo -ik- (próprio mais nom exclusivo das línguas célticas) dum promontório, estremo dumha serra ('duro perstrepunt et prominentis hic iugi surgit caput, Oestrymnin istud dixit aevum antiquius', o que no meu mal latim, e con ajuda de Google e o dicionário Words de Whitaker penso que é 'Com grande dureza ressoa, e proeminente surge aqui a cabeça dumha serra, sendo isto chamado de antigo Oestrymnin.') Este promontório era chamado de antigo Oestrymnin, e sendo mencionado depois de Cádis e das Colunas de Hércules quer ser o Cabo de São Vicente, mais pola descriçom máis bem seria o Cabo da Roca ou outro (?). 

Possível etimologia deste topónimo antigo? O primeiro elemento é, penso, o PIE *hóistro- 'raiva, forte sentimento', um derivado de *hóis- 'mover-se com violência / por-se em movemento', donde lituano aistrà 'passiom' e grego oistro 'moscardo, aguilhom, raiva' (Cf. Mallory J.P. &  D.Q. Adams 'The Oxford Introduction to Proto-Indo-European and the Proto-Indo-European World', p. 340) O segundo elemento do topónimo -mn- semelha o grau zero do sufixo *-men- que usualmente deriva nomes de verbos ou açons (cf. latim alumnus = '(o que é) alimentado', de alo, alere 'alimentar') Consequentemente, penso que o topónimo Oestrymnin < *Oistrumn- tanto vale como 'O que atura o embate / O embatido', lembrando-me à nossa Ponta Batuda, na ria de Noia. Sendo que Avieno emprega na sua Ora Maritima materiais até um milénio anteriores à sua própria época, esta seria outra prova da presença de falantes de línguas indo-europeas no sul da península ibérica hai máis de 2500 anos.

E si me trabuco, que as minhas trosmadas caiam em terra fértil :-)