21 de setembro de 2009

Territórios Celtigos, Carnota e Nemancos






Célticos Supertamarcos:


Os territórios medievais de Célticos, Nemancos e Carnota ocupavam o extremo ocidente da Galiza:


  • Nemancos, compreendia aproximadamente a actual comarca de Fisterra, cos concelhos de Mugia, Cee, Fisterra, Corcubiom e boa parte de Dumbria. Vinha definido este território polo val do rio Castro, chamado na Idade Média Toar, e polos montes que o separam polo norte da terra de Soneira, e polo sul de Célticos.
  • Carnota, a actual comarca de Muros (concelhos de Muros e Carnota), máis o concelho de Outes e a freguesia de Arcos em Maçaricos. Vinha configurado pola estreita faixa costeira que vai do monte Pindo ao Tambre. Co tempo Outes e boa parte de Muros configurárom o Território Gentines.


  • Célticos inicialmente compreendia todas as anteriores terras, máis o val do rio Jalhas (actual comarca de Jalhas: concelhos de Maçaricos e Santa Comba), e máis os concelhos de Negreira e Avanha, à direita do curso do Tambre. Estes últimos configurárom máis tarde o seu próprio território, a Barcala, definida polos rio Barcala e Avanha.
  • Entre Célticos e Montaos estendia-se o território do Dubra, definido polo val deste rio, e que se corresponde co actual concelho de Val do Dubra.









A) Os Celticos


A notícia máis antiga que temos destes territórios, e da gente que lhe da nome, devemo-las aos autores clássicos, gregos e latinos. Todos eles coincidem em confirmar a presença no ocidente da Galiza -e tamém no sudoeste da península- dumha gente chamada Célticos, aos que o geógrafo Mela situa povoando toda a costa da Galiza, a nom ser o extremo sul, da Guarda até as rias:


'Desde este promontório [Promontório Magno = Cabo da Roca] na parte que se retrai abre-se um imenso golfo, no que estám os Túrdulos velhos e as cidades dos Túrdulos; quase á metade do caminho desde o último promontório desauga o rio Munda [Mondego], no entanto no vértice flui o Durius [Douro]. Desde ali e por certa distáncia a costa é recta, depois um golfo se retrae um pouco para logo projectar-se algo e de seguido retroceder, e assi umha e outra vez [as Rias Baixas], até onde jaz a marge recta onde se estende o promontório que chamamos Céltico [Cabo Tourinhám].'


'Toda está habitada polos Célticos, mais do Douro até o golfo moram os Gróvios, e por eles fluem o Avo [Ave], Celado [Cávado], Nebis [Néiva], Minio [Minho] e o que leva por alcume Oblivion, o Limia [Límia]. No próprio saente do golfo está a cidade Lambriaca [Lambris*, pola Lançada?], no entanto as rias recebem as augas de Laeron [Lérez] e Ullam [Ulha]. A parte que sobressai é habitada polos Praesamarcos [Praestamarcos, Barbança], e por eles decorrem os rios Tamaris [Tambre] e Sars [Sar], nom longe do seu nascimento, o Tambre polo porto Ebora, o Sar junto à Torre de Augusto, monumento memorável. Depois moram Supertamaricos e Nérios no último treito. E até aqui chega o que pertence a costa que mira ao Ocidente.'


'Depois, todo o lado da terra se volve ao norte, do promontório Celtico ao Pyrenaeum [Pirenéus]. A costa é quase continua até onde os Cántabros, de nom ser onde hai pequenas entradas ou modestos promontórios.'


'Nela primeiro estám os Ártabros, ainda da naçom Céltica, seguidos polos Ástures ['In ea primum Artabri sunt etiamnum Celticae gentis, deinde Astyres']. Onde os Ártabros, um golfo de entrada estreita mais de extenso contorno contem a cidade Adrobrica [Adrobris*, por Ferrol], cingida polas desembocaduras de quatro rios: dous de nome desconhecido incluso polos vizinhos, por outras descargam o Ducanaris e o Libyca. No litoral nos Ástures está a cidade Noega, e três altares que chamam Sestianos estám numha pequena península, consagras no nome de Augusto para alumiar umhas terras que antes eram desconhecidas.'
(P. Mela, Chorographia III.6-9; traduçom própria)


É dizer, tanto os célticos propriamente ditos, habitantes do oeste da Galiza, como os ártabros que habitavam todo o norte até o Návia, pertenciam a umha mesma gente ou naçom, a que Mela identifica como céltica. Tamém Plínio nos fala dos célticos da Galiza:


'Os povos do convento Lucense som dezasseis, salvo célticos e lémavos pouco célebres e de nome bárbaro, se bem os livres som uns 166.000.'
(Naturalis Historiae, III, 28)


'A regiom dos Astures, a cidade fortificada de Noega na península dos Páesicos, e desde ali o convento lucense, ao rio Návia os Albions, Cabarcos, Egivarros chamados Namarinos, Adovos, Arronos, Arrotrebas, o promontório Céltico, os rios Florio, Nelo, Célticos chamados Nérios e Supertamaricos, em cuja península estam os três altares sestianos adicados a Augusto, Coporos, a cidade fortificada de Noeta, Celticos chamados Praestamarcos, Cilenos, e pola costa as illas que se chamam Cortegada e Ons.'
(Naturalis Historiae, IV, 111)

Estrabom (na traduçom de Garcia-Bellido, que mantenho, já que nem quero traduzir umha traduçom, tradutore traditore, nem podo traduzir o original) escreve:


'Los últimos son los ártabroi, que habitan cerca del cabo que llaman Nérion, que es límite tanto del lado occidental como del septentrional. En sus cercanías se hallan también los keltikoí, parientes de los que viven sobre el Anas. Se dice que estos emprendieron con los tourduloí una campaña, y dicen que pasado el río Limaía se sublevaron; y como en la reyerta adviniese la muerte de su jefe; permanecieron allí dispersos, lo que hizo que a este río se le llamase también Léthes ("olvido"). Los ártabroi tienen sus ciudades aglomeradas en la bahía, a la que los marineros que por allí navegan llaman "Puerto de los Ártabroi". Hoy a los ártabroi algunos los llaman también arotrebai. En la región sita entre el Tágos y el país de los ártabroi habitan unas treinta tribus. Esta región es rica en frutos y en ganados, así como en oro, plata y muchos otros metales; sin embargo, la mayor parte de estas tribus han renunciado a vivir de la tierra para medrar en el bandidaje, en luchas continuas mantenidas entre ellas mismas, o atravesando el Tágos, con las provocadas contra las tribus vecinas...'
(Estrabom, III, 3, 5)


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Tamém pola epigrafia romana conhecemos gente que se identificavam como célticos (como outros se identificavam como lémavos ou seurros). Um importante número deles eram supertamarcos, gente que viviam 'sobre-o-Tambre', ou do outro lado do Tambre, visto desde o sul (o professor Báscuas leva a cabo um extenso e profundo estúdio da etimologia de Supertamarcos e Praestamarcos em Hidronimia y Léxico... pp. 27-31). É peculiar a perda do i átono na forma adjectiva, tamarcos ˂ *tamáricos, idêntica a que se produz no povo dos cavarcos ˂ *caváricos, formaçom adjectiva sobre o PIE *kawar- 'gigante':


CLARINU/S CLARI F(ILIUS) CELTICUS SU/PERTAMA(RCUS) / ANN(ORUM) VI H(IC) / S(ITUS) E(ST) S(IT) T(IBI) T(ERRA) [L(EVIS)] (Astorga, AE 1976, 0286)


APANA AMBO/LLI F(ILIA) CELTICA / SUPERTAM(ARCA) / [---]OBRI / AN(NORUM) XXV H(IC) S(ITA) E(ST) / APANUS FR(ATER) F(ACIENDUM) C(URAVIT) (Sam Pedro de Mera, AE 1997, 0863)


EBURIA / CALVENI F(ILIA) / CELTICA / SUP(ERTAMARCA) |(CASTELLO?) / LUBRI AN(NORUM) / XXVI H(IC) S(ITA) E(ST) (Andiñuela, AE 1997, 0873)


FUSCA CO/EDI F(ILIA) CELTI/CA SUPERTA(MARCA) / |(CASTELLO) ELANIOBR/ENSI SECOS/ILIA COEDI F(ILIA) / SOROR SUA / POSUIT (Fresneda, CIL 02, 05667)


CELTI[CU]S / SUPERTAM/ARCUS AN(NORUM) XL / H(IC) S(ITUS) E(ST) S(IT) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS) (Fresneda, CIL 02, 05081)


Outras gente tamém se identificavam como célticos na península:


1.- Celticos Flavienses (de lugar desconhecido; Íria Flavia?):


[---] SU/[NU]AE F(ILIAE?) AN(NORUM) XXIII / [DO]QUIRUS DOCI / [CE]LTICO FLAVIEN(SIS) / DE SUO F(ACIENDUM) C(URAVIT) (Astorga, AE 1996, 0890)


D(IS) M(ANIBUS) S(ACRUM) / AMM(A)E FESTI F(ILIAE) / ALBOCOLENSI / AN(NORUM) XXIII / CASSIUS VEGETUS / CELTI FLAVIENSIS / UXORI PIAE / F(ACIENDUM) C(URAVIT) (Aldeatejada, CIL 02, 00880)


2.- Celticos de Mirobriga, na Lusitánia, segundo noticia de Plinio confirmada pola epigrafia:


'Mirobrigenses qui Celtici cognominantur' (Plinio HN IV.xxii.118)


D(IS) M(ANIBUS) S(ACRUM) / C(AIUS) PORCIUS SEVE/RUS MIROBRIGEN(SIS) / CELT(ICUS) ANN(ORUM) LX / H(IC) S(ITUS) E(ST) S(IT) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS) (Santiago do Cazem, HEp-07, 01205)


3.- Celtitanos, da cidade de Celti na Bética:


D(is) M(anibus) s(acrum) / Bruttia Victorina / Celtitana annor(um) XXXV / pia in suis / h(ic) s(ita) e(st) s(it) t(ibi) t(erra) l(evis) (Penaflor, CILA-02-01, 00177)


Fabia M(arci) f(ilia) Sempronia / Aciliana Celtitana / ann(orum) XV mens(ium) VIII dier(um) XII (Penaflor, HEp-10, 00558)


Venerem Aug(ustam) cum parerg(o) item phialam argenteam Aemilii// Rustici / item trullam argenteam M(arcus) Annius Celtitan(us) testamento / suo post mortem Aemiliae Art{h}emisiae uxoris et / h{a}eredis suae poni iussit Aemilia / Ar{h}temisia filia posuit eademq(ue) suo / an{n}ul{l}um aureum gemma meliore (Penaflor, HEp-10, 00558)


Sabemos tamém por Júlio César que os galos se chamavam a si mesmos Celtas:


'A Gália está dividida em três parte, das quais umha a habitam os Belgas, outra os Aquitanos, e a terceira os que na sua língua se chamam Celtas e na nossa Galos. Estes todos som diferentes entre si pola língua, as instituiçons e máis as leis. Os Galos limitam cos Aquitanos polo rio Garona, cos Belgas polo Matrona e o Sequana'
(J. César, Bellum Gallicum, I.1)


E Plínio chama Céltica à Gália habitada polos Celtas, ou Galos propriamente ditos:


'Gallia omnis Comata uno nomine appellata in tria populorum genera dividitur, amnibus maxime dinstincta. a Scalde ad Sequanam Belgica, ab eo ad Garunnam Celtica eademque Lugdunensis, inde ad Pyrenaei montis excursum Aquitanica, Aremorica antea dicta.'
(Naturalis Historiae, IV, 105)


Ou à regiom habitada polos célticos do Guadiana:


'praeter haec in Celtica Acinippo,Arunda, Arunci, Turobriga, Lastigi, Salpesa, Saepone, Serippo. altera Baeturia, quam diximus Turdulorum et conventus Cordubensis, habet oppida non ignobilia Arsam, Mellariam,Mirobrigam Reginam, Sosintigi, Sisaponem.'
(Naturalis Historiae, III, 14)


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O tema *kelt- nom só participa em nomes de lugar ou em etnónimos, tamém na antroponímia é moi produtivo. Como exemplo:


1.- Celtus/Celtius:


CELTIUS M/AELONIUS / HIC SITUS / EST (Balsemao, CIL 02, 05257)


CELTIUS / CLOUTI / F(ILIUS) ANN(ORUM) X/XXII H(IC) S(ITUS) S(IT) T(ERRA) L(EVIS) (Medina del Campo, AE 1992, 01031)


CELTIUS / TONGI / F(ILIUS) IOVI R/EPULSO(RI) / A(NIMO) L(IBENS) V(OTUM) S(OLVIT) (Montalvao, AE 1934, 00022)


BANDIOGE(?) / VOTUM CAMALI / ULPINI F(ILIUS) / CELTIUS / FILIUS / SOLVIT (Sul, HEp-04, 01100)


E como nome de família ou gentilidade:
D(IS) M(ANIBUS) / AIAE QUE/MIAE BO/DDI F(ILIAE) C/ELTIGU/N AN(NORUM) XXXI // D(IS) M(ANIBUS) / AIAE C/ARAV/ANC/AE BO/DDI F(ILIAE) / CELTIG/UN AN(NORUM) / XXXV // AIA / ORIGEN/A VIRON/I F(ILIA) MONIME/NTU(M) FACIENDU(M) / CURAVIT PIEN/TISSIMIS FILIA/BUS (Aguilar de Campoo, CIL 02, 06298)


2.- Celtiatus:


DUCRIAE / CELTIATIS / F(ILIAE) [A]N(NORUM) LXXX / S(ULPICIA) CATELA / M(ATRI) S(UAE) OB/AERRIO [S]EP(ULTA) EST / S(IT) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS) (Bouçoães, HEp-07, 01250)


LATRONI/US CELT/IATI F(ILIUS) / H(IC) S(ITUS) E(ST) (Verim, HEp-03, 00280)


CELTIATUS / VENIATI / H(IC) S(ITUS) E(ST) S(IT) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS) (Alcollarin, AE 1991, 00972)


QUINTUS MODESTI F(ILIUS) A(NNORUM) XXV / PLACIDA MODESTI F(ILIA) A(NNORUM) XIII / BOUDICA FLACCI F(ILIA) MODESTUS / CELTIATIS F(ILIUS) LIBERIS UXORI SIBI FECI[T?] (Capinha, HEp-02, 00803)


3.- Conceltius:


[1]EILVR/TA CON/CELTI F(ILIA?) / AN(NORUM) LXX / H(IC) S(IT) T(ERRA) / L(EVIS) (Conquista de Sierra, Ep-05, 00194)


BOUDELUS / CONCELTI F(ILIUS) / AN(NORUM) LXV (Belver, AE 1984, 00471)


[S]ANGENU/[S] CONCE[L]TI F(ILIUS) AN(NORUM) / [L]XXXV / [H(IC)] S(ITUS) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS) (Ibahernando, HEp-03, 00125)


4.- Arceltius:


AUCALUS / APPINI F(ILIUS) / HIC SITUS / EST AN(NORUM) XX / ET ABRUNUS / ARCELTI F(ILIUS) / APPIN[ (Coria, AE 1977, 00406)


Incidentalmente, nomes como Arceltius ( ˂ PC *(P)ari-kelt-yos) e Conceltius ( ˂ PC *Con-kelt-yos), desconhecidos fora da península, amossam que a forma *kelt- é autóctone, e que participa no material linguístico céltico (con- e ar- som conhecidos prefixos célticos, e o segundo deles revela perda de /p/, fenómeno fonético caracteristicamente celta). Outros nomes como Celtiatus ou Celtius amossam sufixos bem conhecidos da antroponímia hispánica pré-latina. Polo demais, o sufixo velar *-k- é comum nas línguas célticas e latinas, e assi umha verba como brezhoneg é o nome próprio do bretom na própria língua bretona; provem dum étimo *brittonico. Quer-se dizer, Céltico nom é primitivamente um adjectivo latino co valor de 'celtoides' ou descendentes dos celtas', senom um autêntico endónimo local, o nome polo que se chamavam a si mesmos alguns dos habitantes da península (e que logo presentavam outras divisons menores). Som estas gentes emigrantes as que dérom nome aos seguintes lugares e freguesias, longe das suas terras, como os célticos que deixárom em Leom as suas laudas:


  • Céltigos (101 hab.- Sárria, Lugo)


  • Sam Juliám de Céltigos (freguesia com 150 hab.- Frades, Crunha)




  • Sam Juliám de Céltigos (freguesia com 395 hab.- Ortigueira, A Coruña)




O Vilar De Céltigos, em Santa Comba, nom recebe o seu nome directamente dos célticos, senom do feito de se achar no coraçom do território medieval de igual nome.


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Já na época sueva os célticos dám nome a umha das igrejas dependentes da Sé de Íria, segundo se recolhe no Parochiale Suevo:


'Morracio, Saliense, Contenos, Celenos, Metacios, Mercia, Pestemarcos, Coporos, Celticos, Brecanticos, Prutencos, Plucios, Besaucos, Trafrancos, Lapatiencos et Arros.' (CODOLGA: Braga 569)






De Fror na Area





O seu território foi cedido durante alguns séculos aos bispos de Lamego, refugiados na Galiza desde a chegada dos árabes. Em documento do ano 916, conservado em cópia recolhida no Tombo A da catedral de Santiago, Célticos aparece já desagregado como três territórios: Célticos, Carnota e Nemanco:


'Trasancos, Labatiencos, Nemancos, Celticos et Carnota, quam obtinuit episcopus lamecensis; necnon Nemitos, Faro, Brecantinos et Somnaria , quam obtinuit episcopus Tudensis; adicientes ad hec Prucios et Bisaucos, qui steterunt post partem regulae ad Ouetao.' (TA 915)








TERRITÓRIO NEMANCOS:


O Território medieval de Nemancos incorporava as terras dos actuais concelhos de Mogia, Fisterra, Cee e Corcubiom, e parte do de Dumbria (freguesias de Berdeogas, Dumbria, Bujantes, Salgueiros), e parece que continuava ao povo céltico dos Nérios, que moravam nas imediaçons do promontório Céltico ou Nério -o mesmo Cabo Tourinhám que a actual Xunta de Galicia parece querer ceder a umha empresa privada para a sua explotaçom e transformaçom.



-Mar de Fora, Fisterra-


Vinha definido este território polo val do río Castro, chamado na Idade Média Toar, e polos montes que o separam polo norte da terra de Soneira -que suspeito ligada a Bergantinhos- e polo sul de Célticos.
Do ponto de vista etimológico Nemancos penso que procede dum étimo *Nem-an-ic-os, derivado da raiz PIE *nem- ''tomar, distribuir' (ou de *nem- 'dobrar'?) da que tamém deriva Nendos ˂ Némitos 'Os Nóbres'. No sul, as terras de Cee e Fisterra chegarom a ser conhecidas como Território Dúgio.


'in Nemancos. sca. Eolalia in Donobria [Santa Eulalia de Dumbria, Dumbria]' (CODOLGA: Santiago 830)


'sicut ab antiquis patribus praescriptos cognouimus, id est: Trasancos, Labatiencos, Nemancos, Celticos et Carnota, quam obtinuit episcopus lamecensis;' (TA 915)


'in Nemancos insula Tauriniana [Sam Martinho de Tourinhám, Mogia]' (Celanova 942)


'duos alpes nominibus Castro Munualdi et alio Rasegendi, in territorio Nemancos, iusta crepidinem maris ad portum qui nuncupant Arena maiori.' (CODOLGA: Moraime 1095)


'monasterio Moriames [Sam Juliám de Moraime, Mogia], quod situm est in terra de Traba territorio Nemanchos et litore maris' (CODOLGA: Moraime 1119)


'una hereditate de infantatico que est territorio Nemancos vocitata Codesos [Codessos, Pereirinha, Cee] sub monte de Olgoso et fluuio Toar [rio Castro], concurrente ad ecclesiam Sancti Christofori. (TTO 1131)


'in loco Moriame [Sam Juliám de Moraime, Mogia] qui est in territorio Nemancos iuxta crepidinem maris, subtus alpe Castro Manualdi (…) hic in valle Dugio [ Sam Vicenço de Duio, Fisterra], territorio Nemancos secus litore maris, (…) ego Petrus Petri, notarius iuratus de Nemancis (CODOLGA: Moraime s.XII)


'item in territorio de Nemancos damus vobis unum kasalem bene populatum quale viderit uxor mea' (TTO 1154)


'Et similiter do uobis ecclesiam prefati regalengi de Nemancos dictam Sanctum Julianum de Peraria [Sam Juliám de Pereirinha, Cee] cum toto ipso regalengo.' (TTO 1173)


'archipresbiteratibus de Seagia. et de Soneyra. et de Nimancis. et de Intinis. et de Celticis. et de Barchalla.' (CODOLGA: Santiago 1177)


'villas de Ceia [Santa Maria de Cee, Cee] in Nemancis, et de Oca in Bregantinis' (TB 1178)


'ecclesia que dicitur Sanctus Julianus [Sam Juliám de Pereirinha, Cee] cum suo regalengo quod uocatur Peraria. (...) Et est ipsa ecclesia cum predicto regalengo sita in terra de Nemancos iuxta fluuium Thoar [rio Castro] sub monte Faro, diuisa per terminos et loca antiqua scilicet per Sauariz [Chafaris, Pereirinha, Cee] et inde per Petram Albam de jusanam, et inde per Petram Albam de susanam, et inde per Farum, et inde per Baldumar [Baldomar, Bardulhas, Mogia], et inde ad castellum de Peraria, et inde per aquam que decurrit inter Purtar [Porcar, Lires, Cee] et ipsam Perariam et intrat in Thoar, et inde ad ramum de Sambadi [Sambade, Santiso de Vuiturom, Mogia], et inde ad pontem de Constanti, et inde ad fontem Ouium, et inde ad Bicianes, et inde ad ribam Sancti Juliani, et inde ad vadum de Chanca, et inde ad Sauariz ubi incepimus.' (TTO 1219)


'et mando ibi mecum ecclesiam Sancti Martini de Taurinaa [Sam Martinho de Tourinhám, Mogia] cum ipsocauto et cum tota sua hereditate de auolentia et de ganantia et cum uoce regia; mando etiam ibi ipsam hereditatem et criationem de Nemancos quam teneo' (TTO 1220)


'ego Sebastianus Dominici de Verees [Santa Baia de Brens, Cee] in terra de Nemancis' (TTO 1242)


'Ego Fernandus Petri, notario de concilio de Nemancis, interfui et conf., et de mandato meo Gomez Fernandez scripsi. Ego Gomez Fernandez de mandato de Fernando Petri, notario de concilio de Nemancis, interfui et scripsi.' (TTO 1263)


'et casale hereditatis de villari de Armentar in terra de Nemancos pro animabus illorum quibus iniuriam feci. Mando dicto monasterio (...) terciam tocius uille de Villanoua [Vila Nova, Sam Juliám de Pereirinha, Cee] de Nemancos in filigresia Sancti Christofori de Codesso [Codessos, Sam Juliám de Pereirinha, Cee]' (TTO 1271)


duabus ecclesiis, scilicet de Sancto Saluatore et de Sancto Martino cum omnibus illis hereditatibus et adiunctionibus que ad illas ecclesias pertinent uel pertinere debent; sunt autem he ecclesie in territorio de Dugio sub monte Rou. Has predictas ecclesias dono et concedo vobis ipsique monasterio cum omnibus suis directuris que ad ipsas pertinent in toto valle de Dugio que sunt de fisco regio per suos terminos antiquos. In primis, ecclesia Sancti Saluatoris [Sam Salvador de Duio, Sam Vicenço de Duio, Fisterra] determinatur per aquam que uenit de fonte Fenulerias que uocatur aqua de Senra, de alia parte diuiditur de villa Vigo per aquam rio que uenit de monte, et de alia parte diuiditur de villa Frogiam per suum vallum; et exit ista uilla contra montem inter prefatos terminos per suos agros de Lacuna et super via publica per suos agros de Rouoredo, et inde ad montem usque ad terminos de Boisan [Bujám, Sardinheiro, Fisterra]. Termini ecclesie Sancti Martini [Sam Martinho de Duio, Fisterra] sunt isti: de vna parte per illam aquam de illo riuulo de Trunco sicut uadit et intrat in mare de arena de Locustaria [Langosteira] et finitur intus in mare; de inde de alia parte iterum incipit alius terminus in predicto riuulo de Tronco et uadit per illum parietem antiquum qui exit de ipso riuulo et uadit sursum ad montem diuidendo hereditatem de Sancto Martino et hereditatem de Hermo [Ermedesujo de Abaixo, Sam Vicenço de Duio, Fisterra]; [et] inde sursum per medium de ipso monte in directo ad alium parietem antiquum qui concludit de contra Hermo agrum rotundum de Redondelo qui est [de] villa de Burgo integer, et iterum per super illum fontem de Redondelo et [inde] sursum ad aliam petram designatam de Cruce et inde in antea per illas petras quasi erectas et inde in directum ad illam petram longam de super terra crepata, et inde finitur in mare maius. De inde sunt alii termini de alia parte de contra insula de Dugio per illam aquam que discurrit de Portelo ad mare de Locustaria, et de alia parte in directum ad illam aquam de Currelo sicut discurrit ad mare maius. Extra hos terminos habet ecclesia Sancti Martini [a]lias hereditates de uoce regia sub aula Sancte Marie [Santa Maria de Fisterra, Fisterra] in villa de Arenis et sub aula Sancti Vincentii [Sam Vicenço de Duio, Fisterra] quas omnes predicto concedo monasterio.(TTO 1135)








TERRITÓRIO CËLTICOS:


    O Território Célticos inicialmente compreendia o val do rio Jalhas (actual comarca de Jalhas: concelhos de Maçaricos e Santa Comba), junto cos concelhos de Negreira e Avanha, à direita do curso do Tambre. Estes últimos configurárom máis tarde o seu próprio território, a Barcala, definida polos rio Barcala e Avanha.


'in Celtegos, Cenfoca [Zanfoga, Sam Cristovo de Corçom, Maçaricos] media; in Aspidi uilla; in Palatios uilla; in Antas, uilla; in Armaon, uilla; in Alion ab integro; in Mennani, uilla; in Sancto Felice, uilla; in Barcalla, Pallatin [Padim, Santa Maria de Covas, Negreira] media; villa de Ordolestre [Santa Maria de Ordoeste, Avanha] que ganauit don Tello' (Sobrado s.d.)


in Celtegos, Cenfoca [Zanfoga, Sam Cristovo de Corçom, Maçaricos] media; (Sobrado s.d.)


'ad Iriensem; Morracio. Salinense. Cortinos. Celenos. Metazios. Mercienses. Pestomarcos. Coporos. Celticos. Brecantinos. Prutentos. Pluzios. Bisaucos. Trasancos. Lapaciencos, & Arros.' (Santiago 569)


'ad Iriense: Morracio, Saliense, Contenos, Celenos, Metacios, Mercia, Pestemarcos, Coporos, Celticos, Brecanticos, Prutencos, Plucios, Besaucos, Trafrancos, Lapatiencos et Arros. XII.' (Braga 572)


in comisso de Celticos. ecclesia in Aranton [Sam Vicenço de Arantom, St. Comba]. ecclesia sce. Eulalie in Laginas [Santa Eulália de Lanhas, Avanha]. scm. Martinum ad Fonte calata [Sam Martinho de Fontecada, St. Comba] . sca. Eulalia, in Logrosa [St. Báia de Logrosa, Negreira]. (CODOLGA: Santiago 830)


'Trasancos, Labatiencos, Nemancos, Celticos et Carnota, quam obtinuit episcopus lamecensis; necnon Nemitos, Faro, Brecantinos et Somnaria , quam obtinuit episcopus Tudensis; adicientes ad hec Prucios et Bisaucos, qui steterunt post partem regulae ad Ouetao.' (TA 915)


in Celtigos Cornias [Cornes, Arcos, Maçaricos] et Olivaria [Sam Martinho de Olveira, Dumbria] (…) in Celtigos de Reilon (…) in Zeltigos Fervito et Figaria [Figueira, Sam Mamede de Carnota, Carnota] cum suo monte (Celanova 934)


greges uaccarum in Celticos V, in Nemitos I, in Makis I, in Nauefracta I, (Celanova 942)


[vil]las prenomitas Luriue; Elaua Abrantes. Bregno. Lesta. Uigo; et Uillare [Vilar de Céltigos?, Sam Joám de Grijoa, Sta. Comba] in Celticos. (CDGH: Santiago 965)


in territorio Celticos ripa Tamaris Sanctum Iulianum de Nigraria [Sam Juliám de Negreira, Negreira] cum suo debito (TA 1024)


'ipsa uilla de Anobre det dedissent ad Furtunium Ermiariz pro alia uilla de Celtigos (…) accepi de uobis proinde alia uilla de Celtegos que mihi dedistis' (Sobrado 1027)


Carnotam, que est ad partem occidentis, quomodo est coniuncta cum Celticos (TA 1028)


Plucios, Trasancos, Lavacengos, Arrones, Nemitos, Bisaucos, terra de Faro, Coporos, Celticos, Brecantinos, in Montanis duo archipresbiteratus, Dubria, Barcala, Selagia, Gentines et (TB 1110)


et in terra de Celtegos unam aecclesiam uidelicit sancti Cosmetis de Antes [Sam Cosme de Antes, Maçaricos]. (CODOLGA: Júvia 1125)


et nouum, cum caractere et hominibus et terris, uidelicet: Gentines, Celticos, Barchala, Carnota, et omnibus suis beneficiis (TA 1127)


et novum cum caractare et hominibus et terris videlicet, Gentines, Celticos, Barchala, Carnota et omnibus suis beneficiis sicut hodie nostri iuris (TB 1127)


hereditatibus meis que habeo in villa prenominata que dicent Cendone [Sendom, Sam Miguel de Valadares, Outes], territorio Celtigos, sub aula domus Sancti Michaelis de Valadares [Sam Miguel de Valadares, Outes]. (TTO 1150)


nostrum regalengum de quintanis et de palaciis de Celticis et villam meam de Valbona (TTO 1152)


mando etiam eidem canonice quartam partem ecclesie sancte Columbe [Sam Pedro de St. Comba, St. Comba] de Celtegos pro anniversario meo (CODOLGA: Santiago 1152)


'et habet iacenciam in terra Celtigos, concurrencia ad ecclesiam Sancti Michaelis de Valladares [Sam Miguel de Valadares, Outes]. Similiter do ibi in ecclesia Sancti Saluatoris de Toreia [Sam Juliám de Torea, Muros]' (TTO 1153)


'hereditate nostra propria quam habemus in villa Soeuos [Suevos, Santa Maria de Coiro, Maçaricos] ex parte abolentie nostre, territorio Celtigos, concurrentes ad ecclesiam Sante Marie de Caurio [Santa Maria de Coiro, Maçaricos] inter duos ribulos, videlicet de Carnota [Rio Beba] et de Cendone [rio? de Sendom, Valadares, Outes].' (TTO 1155)


integram de ecclesia sancti Christofori de Celtigos (TTO 1174)


de Soneyra. et de Nimancis. et de Intinis. et de Celticis. et de Barchalla. et de Dubria. cum possessione de Oqua. (CODOLGA: Santiago 1177)


ad secularem ordinem redeat. est autem ecclesia ista sita inter Celticos et Barçalam loco qui antea Felgoso dictus est m. Bugalido [Sam Pedro de Bugalhido, Negreira] apellatur sub monte Petriolo secus fluuium Barcalam [rio Barcala] (CODOLGA: Santiago 1188)


'hereditate propria quam habemus uel habere debemus in terra de Celticos sub monte Pena, discurrentem riuulo Porrario, concurrentem ad ecclesiam Sancte Marie de Coirio [Santa Maria de Coiro, Maçaricos], in villa nominata Soeuos [Suevos, Santa Maria de Coiro, Maçaricos]' (TTO 1195)


Et istas meas hereditates habent iacenciam in terram de Celtigos sub aula Sancte Marie de Coyru [Santa Maria de Coiro, Maçaricos] in villa nominata Furniis [Fornis, Santa Maria de Coiro, Maçaricos] et in Villar da Costa [Vilar de Costa, Santa Maria de Coiro, Maçaricos] et sub aula Sancti Stephani de Bornalio [Bornalhe, Santo Estevo de Abelheira] (TTO 1198)


et .IIII. mod.s de pane. ad confrariam Celticorum (CDGH: Santiago 1199)


castellum San Iurgio in Trastamarem, com tota terra sua quam maiorem ab antiquo habuit, videlicet, cum Carnota, Entines, Jalles, Barcala et de Celtigos (TA: 1209)


'tota mea hereditate que mihi euenit inter meos germanos in territorio Celticos in loco certo in uilla que uocitant Crispos [Crespos, Sam Miguel de Valadares, Outes] et in villa de Nantarou [Lantarou, Sam Pedro de Outes, Outes] de Iuso et de Suso quanto ibi habeo uel habere debeo in tota filigresia Sancti Petri de Octis [Sam Pedro de Outes, Outes]. Istas igitur porciones predicte ecclesie Sancti Jacobi de Tali [Santiago de Tal, Muros] et istam hereditatem quam ego habeo uel habere debeo in predictas villas de Nantarou de Iuso et de Suso et tota uoce quam ego habeo in filigresia Sancti Petri de Octis' (TTO 1211)


hereditatem de Palacios de Celticos et aliam seruicialiam in Lour et aliam in Pignario de Carnota et aliam in Tali [Santiago de Tal, Muros] (TTO 1216)


hereditate mea propria quod habeo in terra Celticis in villa quod uocitant Villar de Costa [Vilar de Costa, Santa Maria de Coiro, Maçaricos] subtus monte da Patra de Omne, concurrentia ad aulam Sancte Marie de Coyro, discurrente riuulo de Padro (TTO 1247)


en Parada [Parada, Sam Mamede de Carnota, Carnota] o que y a ho moestyero, et en Carnota et huun quasal na freegygia de Sant’Ougea de Maraçicos [St. Ugia do Ézaro, Dumbria], et a renda de Santa Çeçya de Soneyra [St. Sia de Roma, Sás] a qual este LX soldos, et huun quasal nas Espygas [Espigas, Sam Mamede de Alvorês, Maçaricos], et teedes y outro casal nas Espygas que chaman de Val Boo, et en Ryba de Sar de Çeltygos (TTO s.XIII)






TERRA DE BARCALA


No val do rio Barcala ˂ Barcalla formouse um território autónomo do resto de Celtigos, já durante o século XI ou XII. É topónimo pré-latino repetido na Galiza desde antigo:


Maurentani, Villam maiorem; in ripa Ulie, in Saliniensi uillas Barcalla [Santa Marinha e Sam Miguel de Barcala, Estrada] et alias in Ualleca, Parata, Laurinia, Reserti, Parete longa, Mazanaria (TA 924)


'Sancta Maria de Talegio, Fraxinario, Uillam Christi, Sanctum Micahelem de Barcala [Sam Miguel de Barcala, Estrada], Frarici, Sanctum Micahelem immo Sanctum Uincencium de Lucidi, Perarias' (TA 1032)


O seu étimo nom me é evidente. Poderia ser um derivado *barc-all-, com igual sufixo -se o é- que a verba de orige celta cavalo ˂ CABALLUM, e com tema *barc- relacionado coa verba, coido que já morta como apelativo em tempos de Sobreira, bárcia ˂ bárcena 'terra assulagável na beira dos rios'.


in Barcalla, Pallatin [Padim, Covas, Negreira] media; villa de Ordolestre [St. Maria de Ordoeste, Avanha] que ganauit don Tello (Sobrado sd)


Faro, Coporos, Celticos, Brecantinos, in Montanis duo archipresbiteratus, Dubria, Barcala, Selagia, Gentines et cetera (TA 1110)


'Sancta Maria de Ordestre [St. Maria de Ordoeste, Avanha], que habet iacenciam in terra de Barcala, cum omnibus suis apendiciis, pro illa uestra hereditate pernominata Ouines' (TA 1123)


facio cartam stabilitatis siue testamentum firmitudinis tibi Pelagio Petriz siue pro nomine abbati de ecclesia Sancti Petri de Iales [Sam Pedro de Jalhas, Negreira] et de casale de Rosende sicut pertinet a\d/ regale cum solaribus, montibus, fontibus, molendinis, piscariis, pratis, terris, arboribus fructuosis et infructuosis, cum exitibus et regressibus. Hanc inquam supradictam hereditatem que est inter Barcala et Gentinis dono tibi (TTO 1138)


et in Oca et in Barcala in Braonio [Sam Martinho de Bronho, Negreira] (TTO 1155)


quam maiorem ab antiquo habuit, videlicet, cum Carnota, Entines, Jalles, Barcala et de Celtigos, quantum magis antiquitus habuit, et cum omnibus (TA 1209)


Como parte da Barcala, tamém o val do rio Abanha tinha o seu proprio protagonismo. O hidrónimo parece ser um derivado do celta *ab- 'corrente'.


hereditate nostra propria que habemus in terra Auania villa nominata Senior [Senhor, Avanha, Avanha] (TTO 1153)








TERRITORIO GENTINES:


De Céltigos e Carnota esgalhou-se no século XI ou XII o território de Gentines, que se correspondia aproximadamente co actual concelho de Outes, ao norte do Tambre. Como topónimo semelha ter um orige étnico, *gent-īn-, cognato do gótico kindins 'governador', derivado de *ĝent- 'gente, família', co valor de 'senhor da família'. Seriam umha divisom dos Célticos Supertamarcos, e o seu étnico seria similar a doutros grupos galegos: Nendos ˂ Nemitos 'Os Nobres' (cf. antigo irlandês nemed 'pessoa privilegiada'), Bergantinhos ˂ Brigantinos 'O Relevantes = Os Príncipes' (cf. córnico brentyn 'rei'), Nérios = 'Os Heróis' (cf. galês ner 'herói'), Cavarcos 'Os Gigantes' ˂ *Cawar-ĭk- '(dos) gigantes' (cf. córnico caur 'gigante') ...


in nomini Domini. hec est notitia et inuentario de uillis de regalengo de Sancto Iurgio, iste sunt: in Gentinis, Sarantes [Serantes, Sam Cosme de Outeiro, Outes] integro, Fonte de Ouna integra, Cambe{i}ro [Cambeiro, Sam Pedro de Outes, Outes] ab integro, Uerculias ab integro, Sarnum [Sarnom, St. Ourente de Entins, Outes] ab integro, Seria, Lauro [Santiago de Louro, Muros] (Sobrado sd)


Coporos, Celticos, Brecantinos, in Montanis duo archipresbiteratus, Dubria, Barcala, Selagia, Gentines et cetera usque ad occeanum (TB 1110)


cum caractere et hominibus et terris, uidelicet: Gentines, Celticos, Barchala, Carnota, et omnibus suis beneficiis, (TA 1127)


'ecclesia Sancti Petri de Iales [Sam Pedro de Jalhas, Negreira] et de casale de Rosende sicut pertinet a\d/ regale cum solaribus, montibus, fontibus, molendinis, piscariis, pratis, terris, arboribus fructuosis et infructuosis, cum exitibus et regressibus. Hanc inquam supradictam hereditatem que est inter Barcala et Gentinis' (TTO 1138)


'villa uocitata Vara [Bara, Sam Cosme de Outeiro, Outes] cum omnibus bonis suis et et directuris quas uobis damus et firmiter confirmamus, que habent iacenciam in ripa Thamaris, territorio Gentinis, prope aulam Sancti Cosme de Auterio [Sam Cosme de Outeiro, Outes]' (TTO 1143)


'Et est ipsa hereditas in villa Vara [Bara, Sam Cosme de Outeiro, Outes] sub aula Sanctorum Cosme et Damiani [Sam Cosme de Outeiro, Outes] in valle Gentinis discurrentibus fluuiis Tamare et Boronia.' (TTO 1159)


'hec hereditas est in terra Gentinis in honore opidi Sancti Georgii prope litus Tamaris, sub aula Sancti Cosme et Damiani [Sam Cosme de Outeiro, Outes], in villa uulgata Uara [Bara, Sam Cosme de Outeiro, Outes] que est inter villam Sarantes [Serantes, Sam Cosme de Outeiro, Outes] et villam Alueydam [Alveida, Sam Cosme de Outeiro, Outes]' (TTO 1160)


'hereditatibus siue uillulis que uocantur Carualidu [Carvalhido, St. Tirso de Cando, Outes] et Felgaria [Filgueiro, St. Tirso de Cando, Outes] et cum Cunis [Cuns, St. Tirso de Cando, Outes] et uilaria mea de Insula [Ínsua, St. Tirso de Cando, Outes] et duas partes de sexta de Candu [St. Tirso de Cando, Outes] que iacent in terra de Gintinis, loco certo in ripa fluminis Tamaris uidelicet per aquam mediam de Tamar per aquam de Murcigo Infestu et per ipsum vallinum et per archas de Queuna et per Aballadoyras et per cubitum de candano de Oronia [Oronha, St. Ourente de Entins, Outes] per uallum de Cunis per archas de super Campo Ruuim et per ipsam aquam que discurrit de Campo Ruuim et intrat in mare' (TTO 1161)


'hereditate mea quam habeo in terra Gentines villa uocitata Ratis [Rates, Sam Cosme de Outeiro, Outes]' (TTO 1162)


'in terra Carnota et in terra Gentinis et in terra Amaye' (TTO 1165)


'meum regalengum quod habeo in terra de Intinis, videlicet Cando [St. Tirso de Cando, Outes] integro, vt ab hac die et deinceps prefatum regalengum habeatis cum pratis, pasquis, montibus, fontibus, riuis, molendinis, arboribus, petris et cum omnibus directuris suis uel cum flumine Tamar de Lueyro [St. Baia de Lueiro, Negreira] usque in Merou [Mirou, Roo, Nóia] quantum habeo uel habere debeo.' (TTO 1167)


'hereditate nostra propria quam habemus in territorio Entinis concurrente ad ecclesiam Sancti Petri de Octis [Sam Pedro de Outes, Outes], loco certo in villa uocitata Curis [Cures, Sam Pedro de Outes, Outes]' (TTO 1176)


de Seagia. et de Soneyra. et de Nimancis. et de Intinis. et de Celticis. et de Barchalla. et de Dubria (CODOLGA: Santiago 1177)


'villam de Portu et portum Tousindi et portum Sailam [Seilám, Sam Juliám de Tarás, Outes] cum omni uoce sua per ubicumque inuenire potueritis per suos terminos et diuisiones antiquas, scilicet per aquam de Linares et per uillam de Curu et per terminos ecclesie Santi Juliani de Taras [Sam Juliám de Tarás, Outes] et per fontem de Villardigu [Vilardigo, Cando, Outes] et finitur in fluuio Tamaris, que est in territorio Gentinis prope aulam Sancti Juliani de Taras [Sam Juliám de Tarás, Outes] subtus monte Pineyroo, discurrente fluuio Tamaris.' (TTO 1192)


tota nostra portione quanta habemus in ecclesia illa de Sancta Marina de Steyro [Santa Marinha de Esteiro, Muros] que est in terra de Gentinis, (TTO 1200)


hereditate mea propria quam habeo in terra de Intinis sub monte Petroso, iuxta fluuium de Viogio et Tamar, discurrente ad ecclesiam Sancti Cosme et Damiani [Sam Cosme de Outeiro, Outes], in villa propria que uocant Magrio (TTO 1204)


hereditate que habemus in terra Gentinis, in concurrentia Sancti Iohannis, in loco certo in Roho [Sam Joám de Roo, Outes] (TTO 1208)


terra sua quam maiorem ab antiquo habuit, videlicet, cum Carnota, Entines, Jalles, Barcala et de Celtigos, (TA 1209)


'hereditate nostra quam habemus in territorio Intinis in loco certo Manigrio et Alueyda [Alveida, Sam Cosme de Outeiro, Outes], sub aula Sanctorum Cosme et Damiani' (TTO 1212)


'in villa Gulfiam; et habet ipsa hereditas iacencia in territorio Gentinis sub monte Petroso iuxta fluuium Sarcia, et recurrit ad ecclesiam Sanctorum Cosme et Damiani. [Sam Cosme de Outeiro, Outes]' (TTO 1217)


'hereditate quam habemus in villa Gulfiam [Gulfiám, Sam Cosme de Outeiro, Outes] ex parte patris nostri Froyle Pelagii. Et iacet ipsa villa in territorio Gentinis sub monte Petrosso circa fluuium Sartia et recurrit ad ecclesiam Sanctorum Cosme et Damiani.' (TTO 1218)


'mea propria hereditate que habeo in terra Gentinis in concurrencia Sancti Johannis de Roho [Sam Joám de Roo, Outes], discurrente ribulo Uiogio et Sarza, in loco predicto villa Ueeru [Viro, Sam Joám de Roo, Outes]' (TTO 1219)


et concedo vobis VI unam integram ecclesie sancte Marie de Intinis [St. Maria de Entins, Outes] (TTO 1221)


hereditatibus quas habeo et habere debeo et in Orro uidelicet et in tota ipsa filigresia de Noya et Palaciis de Gentinis [Paços, St. Maria de Entins, Outes] et in tota ipsa filigresia de Sancta Maria [St. Maria de Entins, Outes] et in Lago et in tota filigresia de Sancta Eugenia de Tuerazos cum suis directuris, et cetera. (TTO 1222)


'in terra Ientinis sub monte Tremuzo [mt. Tremuço], discurrente ribulo Tamar, concurrente ad aula Sancti Cosme, villa nominata qui dicent Lagona. [Lagoa, Sam Cosme de Outeiro, Outes]' (TTO 1225)


'in Nantarou de Suso et de Juso et quantum plantatum ibi habeo, que hereditas est in filigresia Sancti Petri de Outes in terra de Entinis;' (TTO 1247)








TERRITÓRIO CARNOTA:


Carnota estendia-se na Alta Idade Média por toda a costa norte da ria de Muros e Noia e até o rio Jalhas, territótio que se corresponde cos concelhos hodiernos de Outes, Muros e Carnota. Com respeito a sua etimologia, se Abanha é um hidrónimo, Carnota semelha em principio um orónimo, tal vez correspondente co nome antigo do sacro e surpreendente Monte Pindo. Durante a Idade Média era ainda um lugar sagrado:


'in Carinota Tabiru et Curis et Geneceo [Ginço, Santiago de Arcos, Maçaricos] cum suo monte sacro.' (Celanova 942)


Hoje em dia umha parage do monte é ainda chamada 'Onde-se-adora'. Existiu ou existe outro monte Carnota em Vila Maior, perto de Betanços:


discurrente ad aulam Sancte Marie, inter IIos montes Leboreiro et Carnota, secus flumen Doronia. damus ipsa hereditate per suos terminos (CODOLGA: Caaveiro 1110)


Hai outros topónimos similares na Europa celta: Carnutum (actual Chartres, França), Carnuntum (Bad Deutsch-Altenburg, Austria), Carnac (na Bretanha), Carnate (Lombardia)... Do PIE *kar- 'áspero, duro', nom sei se emparentado por assimilaçom /ɾn/ ˃ /ɾɾ/ com antigo irlandês carrac 'roca, cantil', galês carreg f. 'pedra, roca', bretom karreg idem, córnico carrek idem.


in nomini Domini. hec est notitia et inuentario de uillis de regalengo de Sancto Iurgio, iste sunt: (...) hereditatem in Carnota de Sarantes [Serantes?, Sam Cosme de Outeiro, Outes] (Sobrado s.d.)


in Carnota ecclesia Pintani in Sentes et ecclesia Gaudiosi. ecclesia ad Gentines [Sta. Maria de Entins, Outes]. ecclesia sca. Talasie. ecclesia in Autis [Sam Pedro de Outes, Outes]. ecclesia ad Rodo [Sam Joám de Roo, Outes] ecclesia ad Stario [Santa Marinha de Esteiro, Muros] ad Zendemiri. (CODOLGA: Santiago 830)



-Muros-


Trasancos, Labatiencos, Nemancos, Celticos et Carnota, quam obtinuit episcopus lamecensis; (TA 915)


in Saliense Arca. in Carnota Taviro [Tavilo, Sam Cosme de Outeiro, Outes] et Eutis [Sta. Maria de Entins, Outes] et Ienigio [Ginço, Santiago de Arcos, Maçaricos] cum suo monte. (...) in Celtigos de Reilon, et sexta de Pinario [Pinheiro, Sam Mamede de Carnota, Carnota] integra in Carnota, in Morracio Bellucio cum pumare de Mauron (...) In Zeltigos Fervito, et Figaria [Figueira, Sam Mamede de Carnota, Carnota] cum suo monte et villare intro in Carnota. in Saliense Castello cum Sarantelios et pumare de Lusidi (Celanova 934)


scribturam ab integro meditatem inde concedimus, et alias piscarias de Carinota quas ipsas ipse rex memorie bone domnus Hordonius nobis concessit (Celanova 938)



-Monte Louro, Muros-


in Salienes Arra. in Carinota Tabiru [Tavilo, Sam Cosme de Outeiro, Outes] et Curis [Cures, Sam Pedro de Outes, Outes] et Geneceo [Ginço, Santiago de Arcos, Maçaricos] cum suo monte sacro. (Celanova 942)


hominem qui est de nostro comitatu Karnota, nomine Trasmirus, cum filiis suis: Gundisaluo, Uimaredo, Benedicto, Gudegeua (TA 1011)


'terram quam dicunt Carnotam, que est ad partem occidentis, quomodo est coniuncta cum Celticos, cum duobus castellis in ea fabricatis; Sanctum Iurgium et Canetum [Canedo, Sam Mamede de Carnota, Carnota] cum omnibus suis commissis in ipso territorio habitantibus' (TA 1028)


uillam nostram propriam, que est fundata in territorio Carnota in littore maris, ubi fluuius Tamaris se infundit in mare, uocitatum Sarantes [Serantes, Sam Cosme de Outeiro, Outes] (TA 1030)


cum caractere et hominibus et terris, uidelicet: Gentines, Celticos, Barchala, Carnota, et omnibus suis beneficiis (TA 1127)


In terra Carnote do porcionem meam de ecclesia Sancti Mametis [Sam Mamede de Carnota, Carnota] cum suis directuris et porcionem meam de Parada [Parada, Sam Mamede de Carnota, Carnota] (TTO 1136)


suis directuris et quantum habeo in Sancta Cecilia in terra Carnota de porcionem meam de ecclesia sancti Mametis [Sam Mamede de Carnota, Carnota] (TTO 1136)


dono etiam uobis in terra de Carnota quantum habeo in villa Pignario [Pinheiro, Sam Mamede de Carnota, Carnota] (TTO 1138)


duas seruicias ad monasterium Sancti Justi in Carnota, vnam in Pineyro [Pinheiro, Sam Mamede de Carnota, Carnota] et aliam in Louredu [Louredo, Sam Mamede de Carnota, Carnota]. (TTO 1147)


in villa que uocatur Bornallo [Bornalhe, Santo Estevo de Abelheira, Muros] territorio Carnote, et est secus litus maris concurrens ecclesie Sancti Stephani [Santo Estevo de Abelheira, Muros] que uocitata est sub cognomine ipsius mee hereditatis (TTO 1158)



-Lage das Rodas, Louro, Muros-


hereditatem regiam quam de dono regali ganavi de infantadigo in Carnota (TTO 1159)


in terra Carnota et in terra Gentinis et in terra Amaye (TTO 1165)


tota terra sua quam maiorem ab antiquo habuit, videlicet, cum Carnota, Entines, Jalles, Barcala et de Celtigos, (TA 1209)


tota terra sua quam maiorem ab antiquo habuit, videlicet cum Carnota, Entines, Ialles, Barcala, Avania et de Celtigos, quantum magis antiquitus (TB 1209)


in terra de Carnota, videlicet in villa de Caneda [Canedo, Sam Mamede de Carnota, Carnota] in filigresia Sancti Mametis de Carnota. (TTO 1242)


'uenditionis de hereditate nostra propria quam habemus in terra Carnota in villa que uocitant Malou [Malhou, Santa Comba de Carnota, Carnota], subtus monte Calu, discurrente ribulo Malou, concurrentia Sancte Columbe de Carnota [Santa Comba de Carnota, Carnota], et altera parte in alio loco ubi dicitur Bornalio [Bornalhe, Santo Estevo de Abelheira, Muros] subtus monte Quadro, discurrente ribulo Boual, secus litor maris Tamarensis, concurrencia Sancti Stephani de Arino [Santo Estevo de Abelheira, Muros] ; (TTO 1247)


mina hereditate qual abeo in ipsa terra Carnota in uillas nominatas Canedo et in Froyam [Freám, Santa Comba de Carnota, Carnota], (TTO 1263)








TERRA DE DUBRA:


Entre Célticos e Montaos estendia-se o val do rio Dubra, conhecido na Idade Média como Terra de Dúbria, e correspondente ao actual concelho de Val do Dubra. A sua etimologia parece passar por um derivado adjectival *dubr-yā, do celta *dubra 'auga (escura)' (cf. irlandês médio dobur galês dwfr córnico dour bret. dour 'auga', hidrónimo galo Uernodubrum 'Auga dos Amieiros'), derivado do PIE *dheu- 'escuro' (IEW: 261-267). Consonte, Dubria seria provavelmente 'O Rio Escuro'.


terra de Faro, Coporos, Celticos, Brecantinos, in Montanis duo archipresbyteratus, Dubria, Barcala, Salagia, Gentines, et cetera usque ad Oceanum, sicut in (CODOLGA: Santiago 1110)


continuatur; cum terminis vestris de Dubria et corrigimus superiores terminos de illa furca de Barveyros [Santa Maria de Barbeiros, Ordes] (CODOLGA: Santiago 1124)


et iudices constituti. in terra uero de Montanis et de Dubria et de Laias (CODOLGA: Santiago 1130)


Nuno Alvariz teneant illam terram de Dubria, sicuti ego teneo de Sancto Iacobo (CODOLGA: Santiago 1152)


quas in eo habetis, Bizetum, cum servis quos ibi habetis: Duuria, cum possessionibus quas ibi habetis: Laias, cum pertinentiis suis (TB 1154)


de Intinis. et de Celticis. et de Barchalla. et de Dubria. cum possessione de Oqua. (CODOLGA: Santiago 1177)


ad confrariam de Dubria .II. mrs. et .II. mod.s de pane. (…) et habent concurrentia in ecclesia de Amoerio et .III. in Dubria loco predicto Recarey. [Recarei, Vila Maior, Santa Comba] (CDGH: Santiago 1199)


cclesis et hereditatibus in tota terra de Trastamar et de Duvria et in Bregantinos et in Canzes et in aliis locis (CODOLGA: Osseira 1237)





8 comentarios:

  1. Cossue, muy bueno como siempre. Es un placer pasar por aqui y disfrutar de todas estas cosas que escribes. Gracias.

    Con lo del Promontorium Artabrum o Célticum no puedo estar de acuerdo en reconocerlo con el cabo Touriñán. Creo que los textos son claros y, observa, el cabo Finisterre se encuentra un poco más a Occidente que Touriñán.

    Un saludo.

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  2. Un saludo y muchas gracias por tus palabras. Con respecto al Promontorium, reconozco que para mi tanto el cabo Finisterre como Touriñan som magnificos candidatos, así que la elección de uno u otro casi-casi va 'ao chou', o a las suertes del día... En todo caso, bendita sea la disparidad de opinión :-)

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  3. Hola Cossue, no hay de qué; en todo caso gracias a ti por tus formidables artículos y permitir que esa disparidad de opiniones, como dices, se pueda plasmar en tu blog.

    Jajajaja, tienes razón ambas son unos magníficos candidatos, muy próximos entre ellos y de coordenadas (oeste) similares y... “para hilar fino”. Pero en todo caso, supongo, que una solo se llevará el gato al agua.

    Yo es que creo que tanto el Promontorium Artabrum, Promontorium Nerium, Promontorium Célticum o el mismísimo “Promontorium” Oestrimnico, es un mismo cabo con los distintos nombres que en su momento llevaron, el cabo donde se produce el quiebro O/NE Fíjate, aproximadamente ya que hablo de memoria, en Avieno:

    “Aquí se levanta (ojo, nada literal) un monte prominente, que en la antigüedad se llamó Oestrimnico y que mira de frente al Noto (el sur, Touriñan mira al N)) y que en este frente se abre el golfo Oestrimnico “, este golfo es posiblemente ese largo seno donde se encuentran las Rías Bajas. Efectivamente no deja de ser una opinión.

    En todo caso lo interesante es esa disparidad de opinión que comentas. :-)

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  4. Cossue, ainda que nom vem muito ao caso, escrevo-che aqui, pois nom sei como contactar contigo doutro jeito.
    Nalguns escritos tens falado de Senra e Seara. Achas também nesses papeis velhos Serna ou Cenra/Cerne ...?
    Estou intrigado com Cermuço.
    Agradecido sempre por deixares aqui tanta sabedoria.

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  5. Uf, que fim de mes levo. Un saúdo:

    Muy interesante. Creo que me decido por identificar p. Celtico y c. Touriñán atendiendo a la descripción de Mela, que me parece la propia de un navegante que viniera desde el sur. Por ello, me parece que es en Touriñán donde la costa deja tuerce su orientación hacia el este... Pero es tema que tengo que releer y repensar, especialmente atendiendo a Ptolomeo. Un saludo.

    O. Acho que serna pode ser forma leonesa, ou poida que galega oriental, de senra, com -nr- > -rn-, como em latim TENERUM 'delicado, jovem' que da galego tenro, mais castelám tierno. Igualmente, do pré-latino SENARAM > sénara > seara / senra / serna. O que é sen-, nom o sei (sou-che pouco sábio, mais bem curioso, algo argalharei :-) De cerne, atopo na Coleccion Diplomárica Galicia Histórica de López Ferreiro, na p. 74, em documento de 1474, onde se valora um certo inventário: 'Iten, preçaron duas grades e hun chedeiro e dous temoos de cerna, a parte dos menores em quorente maravedis'.
    A CDGH: http://ia351433.us.archive.org/3/items/coleccindiplomt00unkngoog/coleccindiplomt00unkngoog.pdf

    Saúde.

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  6. Agradecido.
    Um saúdo, mui amável.

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  7. Prezado Cossue:
    De novo, coido que non vou dar coa frase de agradecemento a iste esforzo de desprendemento cultural co que nos agasallas de cando en vez.
    Hoxe quería preguntarche se o Nemancos medieval pode ter algunha relación etimolóxica cos topónimos da parroquia compostelá de Nemenzo, ou a praia Nemiña da Costa da Morte, por dicir algúns exemplos. Terán algunha familiaridade cos nemetóns, bosque sagrados célticos, os topónimos destas comarcas e lugares?.
    Por certo, cando publiques, fáinolo saber dalgún xeito. Graciñas por este impagable agasallo.

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  8. Ola Gonzo, Desculpa a tardanza... levo un mes de moito choio e case non teño tempo para o adicar ao 'vicio' (he, he ;-). Grazas polas túas verbas... Se algún esforzo fago, teño a profunda fortuna de ser ben recompensado por el.
    Sobre Nemancos, si penso que hai relación etimolóxica con Nemeño, Nemenzo, Nemiña, o monte Neme entre Malpica e Carballo... Probabelmente son todos derivados da raíz indoeuropea *nem- 'dobrar', de onde semellan derivar algunhas verbas celtas ben coñecidas, e con presencia en Galicia, como nemeton 'santuario' e nantu- 'val, regato' (Pokorny: 764). Aínda que tamén poderían proceder de *nem- 'distribuir' (Pokorny: 763-4). Un saúdo.

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