17 de xuño de 2012

Remisiwera, e um feixe de nomes


REMISIVVERA
Este nome feminino, citado habitualmente como Remisnuera ou Remismuera, acha-se numha inscriçom na cidade de Braga, e corresponde a umha mulher morta o primeiro de maio do ano 618. Esta inscriçom foi editada (página 67, §380) por Emil Hübner no “Inscriptiones Hispaniae christianae. Suplementum (1900)”. Seguindo a este editor, o epigrafe lê-se:

+ HIC REQVIESCIT. REMISMVERA
IN KAL. MAIAS. ERA. DC QVINQVAGIS
VI DIE SECVNDA FERIA. IN PACE AMEN

A foto oferecida por el é loquaz; eu leo REMISIVVERA, é dizer, Remisiwera, onde Hübner lera o grupo IVV como MV, e outros autores como NV. De facto, suspeito que o pedreiro que gravou a inscriçom escreveu REMISVVERA, engandindo depois o I, umha simples vogal de uniom entre ambos temas deste nome composto, no pouco espaço livre entre S e V.
Estes temas do composto remetem na minha opiniom ao proto-Germánico *remez 'repouso, calma' (gótico rimis idem), e *wērō > *wērā 'compromisso; verdade' (antigo nórdico pl. vārar ‘compromisso’, anglo-saxom wær ‘acordo, compromisso’, antigo alto alemám wāra ‘uniom, acordo’). Nom existem ou nom som empregados na onomástica germánica temas que levem à formaçom de nomes rematados em **nuera ou **muera. Por outra banda, o primeiro elemento podemos atopá-lo tamém em antropónimos como os suevos Remismundus e Remisol, e nos galego-portugueses medievais Remisarius, Remesildi, Rimionda ( < *Remigunda?) e Rremestro (< *Remisto, como na evoçom da verba latim stella > galego e português estrela). O segundo elemento podemos atopá-lo em Elvira ( < Geluira), Rezeuera/Rezeuara e Gundivera, e pode que tamém em Ilduara, Mansuara, Astruara, Bertuara, Gisclauara, Sinduara.

SUINTHILIUBA, THURESMUDA
Som outros dous nomes germánicos correspondentes a mulheres finadas no século VII, provavelmente sueva ambas as duas. O primeiro nome está recolhido numha inscriçom de St Maria de Açores (Celorico da Beira), e corresponde a umha mulher finada o ano 666:

REQUIEVIT FAMULA
CHRI IN PACE SUINTHI
LIUBA SUB MENCE
NOVENBRES ERA DCCIIII

É um antecessor direto do nome galaico-português medieval Sindileuba/Sindileoua, composto dos adjetivos PGmc *swenþaz 'forte, rápido', e *leubō > *leubā 'amada'. O segundo nome (dumha inscriçom de S. Martinho do Peso, Mogadouro) foi o dumha mulher morta no ano 634, e casada cum home chamado Protheus:

+ PROTHEUS FECIT
THURESMUDE UXO
RI SUE OBIIT IPSA
SUB DIE VIIII KL IA
NUAR ERA DCLXXII.

É um composto único, de *þur(i)saz 'gigante' e *mōdō > *mōdā 'fúria, carrage, alma' ('_que tem_ fúria de gigante'?) É notável a representaçom do fonema germánico þ co dígrafo em ambos nomes.

BANDALISCUS, UNISCUS, UNISCO
Som para mim moi interessantes estes nomes germánicos, formados mediante o sufixo -iskaz (masculino) e -iskōn (feminino), que formavam adjetivos de características. Assi, de *manna 'home' → *manniskaz 'humano', e de *þeudān 'tribo, naçom' → *þiudiskaz ‘tribal, nacional’ (donde alemám deutsch, neerlandês dutch, italiano tedesco). É o mesmo sufixo que atopamos no nome Francisco 'franco' (com perdom!). Na nossa documentaçom medieval abundam os germanismos francisco, grecisco/crecisco, como referencia à orige franca (PGmc *frankōn 'dardo, lança') ou grega (PGmc *krēkaz 'grego') dum objeto ou mercadoria. E, na Catalunha, tamém o adjetivo spanesco 'da Spánia', idêntico ao inglês Spanish < *Spanisk- 'espanhol'. Na antroponímia galego-portuguesa conheço estes nomes:
*Wandaliskaz → Uandaliscus (gen. Uandalisci)
*Huniskaz → Uniscus (gen. Unisci)
*Huniskōn → Unisco (gen. Unisconi e Unisconis)
O primeiro deles é claramente um derivado do etnónimo dos vándalos. Os outros dous, masculino e feminino, do nome dos hunos. O primeiro tem gerado os topónimos Gondarisco (Vigo), Gondaísque (Vilalva) ( < *Guandalisci < *Uandalisci), e Bandalisque (Caravias, Astúrias).

Nalgumha ocasiom tamém se documenta o nome Teudisco, que é umha provável errata por Teudisclus. Contodo, Isidoro de Sevilha dizia que os godos se chamavam a si mesmos tecti (i.e. 'teuti').

ALUITUS
Este nome (que se das nas variantes Aluitus, Aloitus, Aloittus, Aloytus, e nas áreas betacistas de Leom e Astúrias, Albittus, Albitus) é usualmente considerado germánico, ainda que por vezes tamém se lhe tem atribuído umha orige local (do latim albus 'branco' + -ittus; como bonittus < bonus 'bom' + -ittus), coa que nom estou de acordo. Na minha opiniom é provavelmente o mesmo nome que o do rei hérulo do século VI Alvith λουίθ); o mesmo que o nome nórdico rúnico Alawid (cf. o Lexikon över urnordiska personnamn”, de Lena Peterson); o mesmo para o que Förstemann recolhia as formas Aloit, Alawit, Alluid na ediçom do 1900 do seu Altdeutsches Namenbuch; e que o nome (documentado umha única vez na Catalunha) Alovetti.

Vejamos. Primeiro: a grafia na nossa antroponímia medieval só se da para representar ora o ditongo decrescente /oy/, ora o crescente /wi/. Em particular, quando representa o crescente, entom temos umha alternáncia gráfica / (e nunca ou moi raramente //):
  • Froila/Froyla, Froilo/Froylo, Froisendus/Froysendiz, Froislo/Froyslo;
  • Goisenda/Goysenda, Goia/Goya;
  • Censoi/Censoy, Manoi/Manoy, Nandoi/Nantoy, Nonnoi/Nonnoy, Quitoi/Kitoy, Sesoi/Sesoy, Tanoi/Tanoy, Trasoi/Trasoy, Uilioi/Uilioy, Uizoi/Uizoy;
  • Moises/Moyses
  • Troitesindus/Troytesendiz
Esta alternáncia é comum para a representaçom do ditongo /oy/, presente nas evoluçons dos temas germánicos *frawjōn 'amo, senhor' > froy-/froi-, e *gaujan 'país, regiom, comarca' > goy/goi-; nos nomes rematados em -oi/oy; assi como no nome hebreu Moises. A mesma grafia e empregada para representar os novos ditongos romances /oy/ derivados da vocalizaçom de consoantes (-Vct- > -Vit-, por exemplo), ou da leniçom e queda de consoantes oclusivas (Troyldi/Trudildi).

Segundo: a alternáncia gráfica // (eventualmente por perda de w intervocálico, e ocasionalmente em Astúrias e Leom, por betacismo) na antroponímia medieval do ocidente da península só se da quando se está a representar o ditongo crescente /wi/:
  • Aldroitus/Aldroytus; Sesoitu/Sesuito
  • Eldoigius/Eldigius; Ermoygius/Ermigius; Eruigius/Eroigius/Erbigio; Gontoigio/Guntuigio/Guntigio
  • Godoygia/Guduegia
  • Odoynus/Odoiniz;
  • Geloyra/Giloira/Giluira/Gelbira > Elvira;
  • Astruildi/Astroyldi/Astril; Aruildi/Aroildi; Sparuildi/Sparoildi;
Fronte à simples alternáncia / (e nom ///), que revela outras origes, como em Albinus/Alvinus, Durabiles/Duraviles; Sabiniano/Saviniano; Salvatoris/Salbatoris...

As grafia Albittus/Albitus, que se dam em Astúrias e Leom, nom som distintas doutras alternáncias betacistas moi frequentes em Castela, e que só no século XIV parecem chegar e impor-se na Galiza. Tam só tomando em consideraçom nomes germánicos:

Grafia nom betacista
grafia betacista
Top Gz. (ofic.)
Alvarus
Albarus
Álbare
Gundisaluus
Gundisalbus
Gondisal
Ueremudus
Bermudus
Bermui, Bermún
Geloyra
Elbira
Xilvir
Eruigius
Erbigius
Ervixe
Barualdus
Barbaldus
Barbalde

Por último, Aluitus, é um nome moi abundante na Galiza e Portugal, onde representam entre um 1% e um 2% de todos os antropónimos registados nas fontes anteriores ao ano 1000. É já menos frequentes no oriente da Galiza (~0,40% em Samos), e ainda menos em Leom (~0,25%), sendo desconhecido na prática em Castela. Em Catalunha a sua presença é literalmente testemunhal, cumha frequência de 1:39.000. Um outro nome germánico com similar distribuiçom (frequente na Galiza, infrequente em Leom, desconhecido em Catalunha) é Baltarius. Só na Galiza, Aluitus é responsável dumha trintena de topónimos (Alvite, Albite, Vilalvite, Cachalvite, Fradalvite...), e Baltarius doutros vinte (Baltar, Balteiro).

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