29 de xuño de 2012

Confim dos verdes castros...

(Atualizado o 30/06/2012)

Graças ao Capitulo 0, o blogue de Manuel Gago, souben da existência do "Centro de descargas de información xeográfica", um magnifico aplicativo da Junta de Galiza que recolhe um bo número de utilidades geográficas, incluindo as famosas images aéreas de 1956 (o "voo americano"), que apresentam umha Galiza em branco em negro, pouco ou nada afetada pola desfeita urbanística -e nom só- que tem transformado o nosso país nos últimos cinquenta anos. Com isto já era bom, mais o "Centro de descargas" tamém recolhe umha serie de ficheiros pdf com images de pendentes, onde o desnível é representado por um código de cor: castanho -> alto desnível, azul -> terra nivelada. Aí a nossa terra revela o seu coraçom oculto, a pegada dos nossos antepassados nos seus povoados fortificados de hai dous-mil ou dous-mil e quinhentos anos.

Eis Alcovre, a antiga Arcobre da Idade Média, do céltico hispano *Arcobrixs (cf. Arcobriga), co seu castro:


(Sempre na mesma escala) em Carvalho, no alto do monte de Martim Díaz,  na freguesia de Ardanha. Tenho para mim que esse era o antigo nome do castro, *Ardania ou *Arduania, do celta *ardu- 'elevado':   


O castro das Varelas, em Melide:


O castro de Guítara ou dos Mouros, em Patom, à beira da estrada de Ourense a Monforte:


Castromao, provável Coeliobriga, capital dos Coelerni, junto a Celanova:



E o castro de Carmoega (*Carmonaica, derivado do mesmo Carmona que origina o nome da cidade andaluza?), em Agolada


O complexo castro de Cances, em Carvalho de Bergantinhos:

  

E o de Anhovre, antigamente Sam Pedro de Arnovre / Arnobre, dominando o Ulha e o val de Ledesma (*fletisma 'A mais larga'). Em Google Maps aprecia-se a construçom de vivendas, à marge de toda licença urbanística e da preservaçom do património, na croa:
 

 Vilouchada, em Traço. Era Lentobre na antiguidade, segundo amostra um documento do ano 818 copiado no tombo de Sobrado dos Monges: "in uilla que ab antiquis uocitabatur Lentrobe, et nunc uocitatur Ostulata, subtus castro Brione territorio Montanos". Já na idade média o castro em si era chamado Brione, Briom, topónimo repetido na Galiza, com frequência na proximidade doutros castros. Para mim, de *Brig-io(n)-, tema em nasal, '*cidadela/montecelo'. Lentobre, pode que de *Lentrobrixs '*castro da aba/costa', ou em relaçom co elemento lentu- em Lantanho (Lentuanio em 956):


Outro dos grandes castros de Bergantinhos, na freguesia de Oça (Carvalho), outro topónimo pré-latino repetido no ocidente da Galiza:


E, por suposto, a imensa cidade de San Cibrao de Lás, for qual for o seu nome, Lansbriga, Lambriga, o Lanobriga:


O castro de Bergazo, no Corgo. De *brigacio? O seu nome partilha a sonoridade da povoaçom Ástur de Brigaecium, que teria evoluído contodo numha forma **Brigezo/**Briezo, ou similar. Em quaisquer caso, do Céltico *brig- 'lugar elevado > fortaleça'.



O castro de Casal de Ponho, em Briom:


Castro das Barreiras, em Vimianço. Um castro chairego que está a ser objeto de estudo e posta em valor:


O castro de Cures, em Boiro:


O Castro Laverco, em Santa Comba:


Os Valions, em Santa Sia de Roma, Zas:


O castro de Santo Adrám de Castro, tamém no concelho de Zas:


O castro de Serramo, em Vimianço:


E o castro da Cervela, em Antas de Ulha, a terra do meu pai, ali onde é provável que moraram hai dous mil anos e algum máis, os meus devanceiros:
 


2 comentarios:

  1. Com permissão de Pondal, diria-se quase "confim de castanhos castros". Interessante achado. E interessantes imagens.

    ResponderEliminar
  2. Hehehe... Certo! O que me resulta moi interessante é que, na linha deste artigo (http://digital.csic.es/bitstream/10261/32909/1/An%C3%A1lisis%20espacial%20de%20un%20territorio%20altomedieval,%20Nendos%20%28A%20Coru%C3%B1a%29.pdf), moitos topónimos pré-latinos mantêm-se a beira destes lugares, provavelmente como testemunho real dos antigos nomes destes castros. Um tesouro!

    ResponderEliminar

Deixe o seu comentario: