14 de febreiro de 2009

Castrapo

O castrapo é, falando com propiedade, o mal castelám empregado por galegos galego-falantes, e nom como a miúdo se afirma um galego mal falado ou mal escrito e inçado de castelanismos. O caso é que antonte, visitando o amado Museu do Povo Galego, dei cumha fermosa mostra, na adicatória dumha vizinha de Santiago à virge, por a ter sandado dumha doença num gionlho.


De Fror na Area


O que podemos ler na image é o seguinte:


DOÑA JOSEFA PEDREIRA UESINA DE SAN

TIAJO ALLANDOSE MOI AFLEGIDA DE UNMA

LESTRAÑO ENUNA RODILLA ENTALESTRE

MO QUELOS FACULTATIBOS TRATABAN DE

ASER OPERASION CRAMO ALA VYRGEN DELOS RE

MEDIOS YCEALLO SANA LECANTO UNA MISA

Y LEDO DOS LIBRAS DE SERA Y LOMAS QUE PUDO ~~~ AÑO DE 1859


Mais em correcto castelám havia ser:


DOÑA JOSEFA PEDREIRA VECINA DE SAN-

TIAGO, HALLÁNDOSE MUY AFLIGIDA DE UN MAL

EXTRAÑO EN UNA RODILLA EN TAL EXTRE-

MO QUE LOS FACULTATIVOS TRATABAN DE

HACER OPERACIÓN, CLAMÓ ALA VIRGEN DE LOS RE-

MEDIOS Y SE HALLÓ SANA. LE CANTÓ UNA MISA

Y LE DIO DOS LIBRAS DE CERA Y LO MAS QUE PUDO ~~~ AÑO DE 1859



Quanto podemos averiguar da língua do redactor polos seus erros? Como se trasluz a língua propia na escrita castelá?


Sandi: Polo constante erro na separaçom das verba, podemos presumir que na língua destas persoas tem um importante papel a fonética sintáctica, quer-se dizer, aqueles processos fonéticos polos que umha verba afecta ou pode afectar à pronúncia da verba imediata, anterior ou posterior. Este é o caso da nossa língua, de jeito que as vezes nom é doado para nos saber onde se acha a separaçom entre palavras dumha mesma sentença. Assi, ainda escrevendo ˂O Galo de Ouro˃ havemos pronunciar [o'galo'dowɾo]. Pola contra, no castelám cada verba parece existir no seu próprio intre, sem interferir com outras; repare-se na interminável listage de contracçons do galego com ou sem reconhecimento por escrito (à ˂ a a, ca ˂ com a, da ˂ de a, pros ˂ para os, noutro ˂ em outro), ou nos fenómenos de epêntese de nasal ou iode antihiática entre verbas (comeu-no ˂ comeu o, a i-alma ˂ a alma), ou de aparente preservaçom de /l/ por assimilaçom de grupos consonánticos (polo ˂ pol-lo ˂ por-lo, come-lo ˂ comel-lo ˂ comer-lo), e fronte as só duas contracçons do castelám: al ˂ a el, del ˂ de el.


Notável resulta YCEALLO por Y SE HALLÓ, entre outros moitos exemplos.


Seseo: O sistema de sibilantes da língua do autor é diverso daquel do catelám e os seus dous fonemas /s/ e /θ/ grafados respectivamente com ˂s˃ e ˂z, ce, ci˃. Em efeito, no galego actual seseante da-se ou bem umha autêntica confusom das sibilantes primitivas da língua medieval num só fonéma, de jeito que ˂caçar˃ pronúncia-se igual a ˂casar˃, ou bem a confussom em dous distintos, mais diversos tamém daqueles do castelám, o que nom facilita umha relaçom biunívoca, e conseqüentemente achamos ˂s˃ por ˂c˃: VESINA por VECINA, ASER por HACER, OPERASION por OPERACION, SERA por CERA, e tamém ˂c˃ por ˂s˃: YCEALLO por Y SE HALLÓ,

Gheada: o que escreve pronunciava /g/ aspirado, de forma que que SANTIAGO é representado SANTIAJO, por assimilaçom da gheada à pronúncia castelá do grafo j.


Harmonizaçom vocálica: a grafia inversa AFLEGIDO por AFLIGIDO pode levar-nos a suspeitar que na língua do escrivám da-se o fenómeno de harmonizaçom vocálica, polo que o timbre da vocal dumha sílaba afecta as vizinhas, por vezes em cascada. Tamém interessa a verba MOI, apócope do galego MOITO, fronte ao castelám MUY.


Betacismo: ˂b˃ e ˂v˃ nom repressentam diversos fonemas, senom grafias máis ou menos etimológicas do mesmo fonema, o que explica a forma escrita FACULTATIBOS por FACULTATIVOS.


Transformaçom do grupo culto CL- en CR-: CRAMO por CLAMÓ. Repare-se em formas galegas como branco (castelám blanco), cravo (clavo), pregar (plegar).


Reducçom do grupo /ks/ ˂x˃ em /s/: ESTRAÑO por EXTRAÑO, ESTREMO por EXTREMO.



Os mesmo fenómenos recolhia hai quarenta anos o professor leonês Manuel Rabanal no seu 'Hablas Hispánicas. Temas Gallegos y Leonéses' (Ediciones Alcalá, Madrid, 1967), sendo moi interessante a sua escolma de epitáfios dos cemitérios de Santa Ugia de Ribeira (p. 53-54):


'Senisas de Manuel Diz'

(polo catelám Cenizas de Manuel Diz)


'Ramona Lopes Bidal

Fallesio el 1 de agosto 1949'

(por Ramona López Vidal

Falleció el 1 de agosto 1949)


'Restos mortales de Gulia do Mingues'

(Restos mortales de Julia Domínguez)


'Efigenio Logo Domingues'

(Ifigenio Lojo Domínguez)


'Gosefa Logo Regeira'

(Josefa Lojo Regueira)


'Francizca Fernández Pouso'

(Francisca Fernández Pouso)


'Valdumero Cadaval'

(Baldomero Cadaval)



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