9 de xullo de 2009

Á Conquista da Límia (Go west, young man!)

Umha realidade toponímica penso que pouco conhecida, mais surpreendente e reveladora do nosso passado, é a que segue: nas actuais comarcas da Alta e a Baixa Límia podemos achar quase umha vintena de topónimos que nos falam da repovoaçom desta comarca na Alta Idade Média. Naquela era, no século IX provavelmente, foi quando povoadores das comarcas situadas aquém do Minho, gentes dos vales do Ávia, do Asma, ou do Sárria, fórom levados ao sul, a repovoar e trabalhar as ricaces terras do val do Límia. E ainda que nom conheço a documentaçom exacta que nos fala desta aventura humana, um moi celebrado diploma medieval conservado em cópia no Tombo de Celanova, esclarece-nos o tempo e a forma. É o testamento de Odwino [Odoyno, Oduino] todo um achegamento à vida cotiá na Galiza do século IX:


'Por moitos habitantes é ainda sabido, e para os máis é máis que conhecido, isto; que foi dada terra para ocupar ao ilustríssimo senhor Dom Oeiro, valeroso guerreiro, na era de 910 [ano 872] polo príncipe sereníssimo Don Afonso; e viu Dom Oeiro a Chaves polo rio Támega, ergueu aldeas e castros e amuralhou cidades e povoou as vilas, e entre elas afirmou lindes e derregou os termos, e repartiu entre uns e outros habitantes, e todo ordenou e dispuxo firmemente. E foi que deu a um seu curmao o diácono Odwino, umha vila que está à beira do rio Límia, cumhas igrejas feitas na antiguidade chamadas Santa Maria sempre virge e nai do Senhor, e Santa Comba virge e mártir, que jaziam arruinadas desde dous centos anos antes ou máis, para que as ocupara e reedificasse na medida das suas possibilidades, e para que dignamente as possuíra segundo carta que Dom Oeiro confirmara da sua própria mám.'


'Cultorum etenim manet cognitum et plerisque notissimum hoc quod data est terra ad populandum illustrissimo viro domno Odo\a\rio digno bellatori in era D CCCC X a principe serenissimo domno Adefonso, qui venit in civitatem Flavias secus fluvius Tamice, vicos et castella erexit et civitates munivit et villas populavit atque eas certis limitibus firmavit et terminis certis locavit et inter utrosque abitantes divisit et omnia ordinate atque firmate bene cuncta disposuit. ex quibus unam villam dedit congermano suo Odoyno diacono qui est in ripa Limie cum eclesiis de antiquis annis hedificatas, dictas et vocatas sancte Marie semper virginis et Domini genitricis, et sancte Columbe virginis et martiris que iacebant in exqualido de ducentis annis aut plus, ut eam populasset et in quantum valuisset hedifficasset et digne possideret per cartam quam ei ipse domnus Oduarius manu propria confirmavit (…)' (Celanova 982)


A igreja de Santa Comba é Santa Comba de Bande, de estilo visigótico, que sabemos graças a este documento que fora abandonada antes do ano 700, polo que nom seria estranho que tivesse sido ergueita antes do ano 600, em época sueva consequentemente. Polo anterior documento sabemos que a este nobre, Oduario -nome germánico que veu dar o galego Oeiro, hoje extinto- , foi-lhe ordenada ou autorizada por Afonso III a repovoaçom das terras de Chaves, e tamém parece que da Límia, onde estavam as igrejas mencionadas. Esta repovoaçom parece que foi tanto umha reconstruçom física como jurídica, e tamém umha autêntica repovoaçom humana dum território polo máis já povoado de antigo, pois já o próprio documento sugere que as propriedades fórom repartidas entre habitantes velhos e novos ('et inter utrosque abitantes divisit ' = e entre os dous grupos de habitantes distribuiu). Vamos coas evidências toponímicas deste episódio da história do país: à Límia acudírom gentes das seguintes terras -sem excluir outras-:



1.- Desde a Asma, as terras regadas polo rio Asma, os actual concelho de Chantada, e em parte tamém Tavoada e Carvalhedo. Ali temos os seguintes lugares e paróquias:


Nogueira de Asma (7 hab.- Tavoada, Lugo)

Sam Fiz de Asma (freguesia com 252 hab.- Chantada, Lugo)

Sam Salvador de Asma (freguesia com 384 hab.- Chantada, Lugo)

Sam Jurjo de Asma (freguesia com 213 hab.- Chantada, Lugo)

Santa Cristina de Asma (freguesia com 112 hab.- Carvalhedo, Lugo)

Santa Ugia de Asma (freguesia com 136 hab.- Chantada, Lugo)


O reflexo deste habitantes da Asma temo-lo na Límia -tanto na Alta como na Baixa-. Tamém, pontualmente, nas terras de Carvalhinho, com rotacismo e dissimilaçom s...s ˃ r...s:


  • Sam Miguel de Armeses (freguesia com 234 hab.- Masside, Ourense) ˂ 'contramutationis sicut et facimus de nostro monasterio proprio quos vocitant Asmeses qui est in territorio Castella' (Osseira 1102) ˂ *Asmenses


Na Alta Límia, e dumha forma Asmanos:


  • Sam Pedro de Asmaus / As Maus (298 hab.- Vilar de Bárrio, Ourense)

  • Asmaus / As Maus (6 hab.- Rairiz de Veiga, Ourense)

  • Asmaus / As Maus (44 hab.- Baltar, Ourense)


E na Baixa:


  • Asmaus / As Maus (30 hab.- Bande, Ourense)

  • Santa Baia de Asmaus / As Maus de Salas (72 hab.- Muinhos, Ourense) ˂ 'discurrente rivulo Salar, vocabulo ecclesie sancti Andree et determinat cum Asmanos et cum Germiati' (Celanova 1096)



2.- Desde as terras do rio Sárria, que recolhe as augas dos concelhos de Sárria, Samos e Triacastela. Estes assentárom-se em toda a metade sul da província de Ourense, do Támega ao Límia, e sempre ao sul do Minho:


  • Sarreaus (55 hab.- Vande, Ourense) ˂ 'hereditate nostra propria quam habuimus in territorio Vanede vocabulo villa Sarranos, subtus monte Leporario' (Celanova 1031);'predicto Villare vocabulo ecclesie sancto Iohanne prope alia villa de Sarranos et ecclesia sancto Petro de Vanate' (Celanova 1065)

  • Sarreaus (72 hab.- Maceda, Ourense)

  • Sarreaus (23 hab.- Orriós, Ourense)

  • Sam Salvador de Sarreaus (freguesia com 317 hab.- Sarreaus, Ourense)

  • + Sarrianos (extinto, Ordes, Rairiz de Veiga), em 'alias villas in Limia, villa quam dicunt Sarrianos prope domum sancte Marie de Hordines' (Celanova 962)



3.- Tamém partilhárom nesta marcha ao sul as gentes vindas do val do rio Lóuçara (Samos, Lugo), afluente do Lor, que baixando do Courel desauga no Sil por terras de Quiroga:


  • Santa Maria de Louzaregos (19 hab.- Viana do Bolo, Ourense)


Este interessante topónimo amossa um derivado do hidónimo Lóuçara, com sufixo -ego, derivado do prelatino *-aiko (latinizado -aeco, evoluído em -ēgo), que é o mesmo sufixo que achamos no nosso endoétnico 'galegos' (mais nom em Céltigos ˂ celticos, por exemplo, onde o /i/ do sufixo velar é breve).


Aos habitantes das ribeiras do rio Lor (medieval Laure) se remete o seguinte:


  • Loureses (102 hab.- Brancos, Ourense) ˂ *Laurenses



4.- Tamém a Castela de Ourense, nome antigo das terras do Ribeiro do Ávia (veja-se a este respeito Nomes do Ribeiro, do amigo Frutos Fernández, home amante da sua terra, p. 93-98), foi país de saída de repovoadores. De feito, semelha que as freguesias de Banga e Lebosende:


Santa Baia de Banga (freguesia com 81 hab.- Carvalhinho, Ourense)

Sam Miguel de Lebosende (freguesia com 159 hab.- Leiro, Ourense)


Enviárom aos seus filhos a habitar nas terras de Celanova:


  • Sam Miguel de Bangueses (freguesia com 167 hab.- Verea, Ourense) ˂ 'sunt ipsas villas prenominatas Vangeses, Fafrigas, Deva, Eires, Matamala, Scutarios, Arnogia' (Celanova 961)

  • Lebosandaus (49 hab.- Bande, Ourense) ˂ *Lebosendanos


Os seguintes lembram a orige da povoaçom destes lugares nas gentes vindas do Ribeiro (sem desbotar que os seus nomes nom façam referência senom a algum castelo ou castro local):

  • Castelaus (150 hab.- Vilar de Santos, Ourense) ˂ *castellanos

  • Sam Martinho de Castelaus (82 hab.- Calvos de Randim, Ourense) ˂ 'hereditate id est Castellanos, subtus mons Aquilonias vocabulo ecclesie sancto Martino, discurrente rivulo Porcaria' (Celanova 1091)


Tamém fórom polo oeste a viver na Paradanta:


  • Santo Estevo de Casteláns (228 hab.- Covelo, Ponte Vedra) ˂ *castellanos


5.- Das terras dos Verosmos ( ˂ Verissimo, Verossimo), que se estendiam pola ribeira norte do Sil, do rio Cabe ao Lor (actual concelho de Sober e parte de Monforte) saírom gentes a habitar na Límia:


  • Sam Bartolomeu de Bresmaus (73 hab.- Sarreaus, Ourense) ˂ *Verosimanos



6.- Tamém do val do rio Chamoso ( ˂ Flamoso), no Corgo, nom longe da cidade de Lugo, saírom repovoadores para estas terras do sul; assi eu interpreto o seguinte topónimo, onde o sufixo -inos nom é o diminutivo galego, senom um sufixo puramente latino que indicava 'que tem a sua orige em...':


  • Santa Baia de Chamosinhos (91 hab.- Tras-Miras, Ourense) ˂ *Flamosinos



7.- Das altas terras do rio Návia (Návia de Suarna, Bezerreã, Nogais):


  • Naveaus (24 hab.- Laça, Ourense) ˂ *Navianos



Eis um mapa, porque as images...


De Fror na Area


2 comentarios:

  1. Autenticamente incrivel, sim senhor, para cando un libro tal que "A Galiza sueva" (de verdade), ou a "Historia da Galiza. Séculos V-X. Ánimo Cossue!

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  2. He, he... Grazas, ho! O problema é que canto máis sei, más sei o que ignoro, e suspeito que ainda é máis e medra o que nen suspeito que non sei :-)

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